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<< Encontro aponta e discute métodos de tratamento para dependentes químicos

Publicada em 11/05/2013 às 23:23
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SITUAÇÃO ALARMANTE

Conselheiros e representantes de várias cidades reuniram-se na semana passada no “I Encontro Estadual de Conselhos Municipais sobre Drogas do Estado de São Paulo de 2013”, organizado pelo Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas, em parceria com a Coordenação de Políticas sobre Drogas, da Secretaria da Justiça e da Defesa Cidadania. Os palestrantes abordaram as políticas públicas, normas sanitárias, modelos de tratamento e reinserção social. 

Presente na abertura do encontro, o secretário-adjunto da Justiça, Roberto Fleury, salientou a importância dos conselhos municipais. “O problema da drogadição virou uma epidemia em São Paulo, no País e no mundo, e tem de ser enfrentado por todos, Estado, sociedade civil, operadores da área médica e jurídica”, ponderou. “O trabalho de enfrentamento é de longo prazo e começa na base, que é o município, daí a importância fundamental da participação dos conselhos na estruturação da rede de atendimento e de ações sociais.” 

Também é papel dos conselhos municipais identificar os problemas relacionados às drogas, deliberá-los junto à sociedade e estimular as autoridades locais a promover ações que resolvam essas questões indicadas. “Hoje, apenas 125 municípios possuem conselhos ativos, ou seja, 70% das cidades de São Paulo não têm conselhos”, observou o presidente do Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas, João Maria Corrêa Filho. “Por esse motivo, precisamos nos articular com os municípios vizinhos para mudar essa situação.” 

DADOS PREOCUPANTES – O incentivo de Corrêa Filho ganhou fôlego com a exposição dos dados sobre aumento do uso de crack e cocaína no Brasil, disponíveis no “I Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil: Estudo envolvendo as 107 maiores cidades do País - 2001” e do “II Levantamento Nacional de Álcool e Drogas – 2013”, realizados pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, da Unifesp. 

“Em 2000, 2% da população tinha feito uso da cocaína; em 2012, esse número chegou a 4%. O consumo de crack era de 0,3% e, o ano passado, o levantamento indicou que 1,3% dos brasileiros já havia usado a droga”, apontou o presidente do Conselho. “Se a velocidade continuar aumentando dessa maneira, daqui a quatro anos a estimativa é de que 3% da população estejam expostas ao crack. Isso é preocupante.” 

ACOMPANHAMENTO 24 HORAS – Com o intuito de agregar novas ideias aos conselhos sobre tratamento e reinserção de dependentes químicos, foram convidadas para o encontro duas especialistas em modelos de tratamento e reinserção social. A psicóloga e pesquisadora do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas da Faculdade de Medicina da USP, Natália Gomes Ragghianti, falou sobre os modelos de tratamentos que tem acompanhado. A coordenadora do Observatório de Políticas Sociais, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social, e representante do Núcleo de Economia Solidária, da USP, Carolina Teixeira Nakagawa, explanou sobre modelos de reinserção. 

A psicóloga citou uma série de medidas que, quando integradas, proporcionam resultados eficazes; mas deixou claro que tratamentos de longo prazo e presença de um médico são imprescindíveis. Terapias comportamentais, psicodinâmicas e ocupacionais são as mais utilizadas, segundo Natália. “Com a terapia comportamental, o dependente recupera as habilidades sociais que foram esquecidas e consegue bolar estratégias que evitem recaídas e reduzam a fissura”, explicou. “Já a terapia ocupacional o ajuda na organização das coisas mais simples, como escovar os dentes, até as mais complexas, como a busca por emprego. Nas terapias psicodinâmicas trabalham as questões pessoais e familiares.” 

Um ponto que gerou controvérsia nos modelos indicados pela psicóloga foi o acompanhamento terapêutico 24 horas. “O profissional vai acompanhar o dependente durante suas atividades, reinserção, crises de abstinências, fissuras e recaídas. Ele acaba sendo a ponte entre a equipe de saúde com o dependente.” A plateia questionou sobre a viabilidade desse modelo. “Algumas clínicas particulares já utilizam”, respondeu Natália. 

PRONTO ATENDIMENTO – Sobre os modelos de reinserção social, coube à coordenadora da Secretaria Municipal, Carolina Teixeira Nakagawa, explicar que o bom modelo de reinserção social tem continuidade. “No tratamento ambulatorial, que pressupõe atendimento interdisciplinar e permite várias ações, podemos trabalhar valores morais com ferramentas apropriadas para reinserção”, disse. 

Um aspecto considerado relevante por ambas é a agilidade do atendimento médico quando o dependente resolve buscar ajuda. ”O serviço de saúde deve estar disponível para alcançar o dependente no momento em que ele está motivado. A motivação dele muda muito”, constatou a psicóloga Natália. “Acesso rápido, acolhedor, empático, informativo e motivador tem maior efetividade na aderência e engajamento ao tratamento”, acrescentou Carolina.


Servente de pedreiro escondia drogas em tapetes de grama 

Na tarde de sexta-feira, um servente de pedreiro foi denunciado por moradores do Parque das Laranjeiras por vender drogas na avenida Dr. Ulysses Guimarães. O fato ocorreu quando uma equipe da Patrulha Escolar Comunitária, da Guarda Civil Municipal (GCM), rondava próximo à Oficina do Saber do bairro e foi informada por moradores sobre o local onde o rapaz estava, bem como suas características, e que a todo momento pegava algo embaixo dos tapetes de grama da ciclovia, entregando para condutores de carros e motos que por ali passavam. 

A equipe, então, dirigiu-se ao local indicado, onde encontrou o servente de pedreiro Diego Pereira Rodrigues Antônio, 21 anos, conversando com um motoqueiro. Ao verem a viatura, os dois deixaram o local rapidamente, mas Diego foi detido no momento em que escondia R$ 20 em sua roupa.

Depois da revista pessoal, os guardas voltaram ao local em que Diego estava e encontraram, embaixo do tapete de gramas, uma caixa de cigarros contendo 20 porções de cocaína. Ao ser questionado, o servente informou que era morador do bairro Ana Paula Eleutério e que estava na casa de sua namorada, porém não sabia informar aos guardas o endereço para confirmarem a versão.

Diego foi conduzido ao plantão policial norte e autuado em flagrante por tráfico de drogas. Depois de prestar esclarecimentos ao delegado, ele foi recolhido ao Centro de Detenção Provisória (CDP).


Três mil saídas temporárias são negadas no interior de SP

Por determinação da Justiça, mais de três mil detentos de Bauru, no centro-oeste paulista, não serão beneficiados com a saidinha do Dia das Mães deste ano. A principal justificativa é de que a data coincide com outra de grande importância: a do pagamento dos salários dos trabalhadores em geral. Isso quer dizer que haverá muito mais dinheiro em circulação. Por medida de segurança, para evitar roubos, desta vez os presos não sairão para visitar suas mães.

Outro motivo é que a saidinha também coincide com a proximidade da última concessão do benefício, que ocorreu no começo de abril. Os mais de três mil presos estão abrigados nos três presídios da cidade. A saída é concedida aos condenados que cumprem pena em regime semiaberto e têm bom comportamento. Mas o prazo da ‘saidinha’ não pode ser superior a sete dias nas seguintes ocasiões: Natal e Ano-novo, Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia da Criança e Finados.

A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) informou que no ano passado 5% dos presos não retornaram da saída temporária do Dia das Mães - a média nessas ocasiões não chega a 10%. Em todo o Estado de São Paulo, no ano passado, tiveram o direito 19.373 presos - 1.027 deles são considerados foragidos.
 
 
 

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