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Diário de Sorocaba





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<< La Mínima apresenta seu repertório no palco do Sesc Com muito humor, Domingos Montagner e Fernando Sampaio trazem diversos espetáculos circenses de hoje a 5 de maio

Publicada em 01/05/2013 às 00:48
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Reproduzindo um programa de rádio ao vivo, La Mínima transforma o espaço público em um estúdio de `rádio-circo-teatro' com suas parafernálias (Foto: Divulgação)
CIRCO

Composto pelos artistas Domingos Montagner e Fernando Sampaio, o grupo La Mínima sobe ao palco do Sesc Sorocaba (rua Barão de Piratininga, esquina com a avenida Washington Luiz - Jardim Faculdade), de hoje, 1º de maio, a domingo (5), para encantar o público sorocabano com sua arte circense. Dentre as quinze peças que compõem a trajetória da dupla, seis delas serão apresentadas neste período, com início sempre às 19 horas, tendo como exceção o espetáculo "Reprise", que acontecerá às 11 horas no domingo. Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria da Unidade, aos preços de R$ 3,00 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculados e dependentes), R$ 6,00 (usuário matriculado, deficientes físicos, aposentados, maiores de 60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino, com comprovante) e R$ 12,00 (inteira).

A cada título, Domingos e Fernando revelam um pouco mais da riquíssima diversidade da arte circense no Brasil e ajudam a contar as histórias através do amor que eles têm por essa arte, demonstrando alegria e orgulho por serem reconhecidos como artistas circenses brasileiros. La Mínima utiliza, assim, a arte do palhaço em prosaicos números que exploram a comunicação gestual, cujo princípio dos integrantes é pesquisar o repertório clássico do palhaço, adaptá-lo e aplicá-lo, tendo como ênfase o circo tradicional.

OS ESPETÁCULOS - Trazendo referências do rádio e do palhaço brasileiro, "Rádio Variété" (2010), o espetáculo de hoje (1º), reproduz um programa ao vivo, em um local público, onde os três personagens começam a instalar suas parafernálias, transformando o espaço em um estúdio de `rádio-circo-teatro', apresentando atrações jornalísticas-dramático-musicais. Uma celebração à alegria do humor popular.

Com direção de Paulo Rogério Lopes, já "Athletis" (2011), amanhã (2), apresentará aos sorocabanos a essência do esporte, numa visão não de vencer e nem de competir, mas sim de se divertir. A história é inspirada na vida e pensamentos do francês Pierre de Fredy, o Barão de Coubertin. Há mais de 100 anos, o jovem Barão idealizou um dos maiores acontecimentos internacionais, as Olimpíadas da Era Moderna. O evento propunha reviver no presente o espírito esportivo dos antigos gregos e, agora, o Barão retorna para contar um pouco da aventura do Homem e do Esporte, desde a Pré-História até a realidade virtual.

"A noite dos palhaços mudos" (2008) será encenada sexta-feira (3), retratando os conflitos e intolerâncias urbanas e o universo irreverente do palhaço. A ação mistura-se a truques de magia, números musicais e referências contemporâneas, numa estética cênica de inspiração cinematográfica. O espetáculo apresenta dois palhaços que habitam em uma mesma cidade e dedicam-se a praticar palhaçadas. Uma seita, que os considera uma ameaça, tenta matá-los, mas consegue apenas capturar um deles, arrancando o seu nariz. Assim, o outro palhaço mudo arrasta-o para um ousado resgate nasal, em meio a diversas perseguições.

SÁBADO E DOMINGO - Sábado (4), em "Mistero Buffo" (2012) os palhaços interpretam episódios sacros com delicado respeito e sincera emoção. São textos de autoria do italiano Dario Fo, baseados em passagens bíblicas, representados por meio de jogral. Histórias que retornam à Idade Média e são adaptados à linguagem do palhaço, encenando parábolas do comportamento, do poder e de quem está submetido ao poder. Para encerrar o repertório com chave de ouro, La Mínima traz no dia 5, domingo, duas apresentações: "Reprise" (2007), às 11, e "À la carte" (2001), às 19 horas.


`Bem do seu tamanho' para o público mirim 

Também neste feriado de 1º de maio, as crianças poderão apreciar com a família o espetáculo "Bem do seu tamanho", encenado pelo Núcleo Caboclinhas, às 11 horas, no Teatro do Sesc. Com muita música e dança, as atrizes Giuliana Cerchiari, Luciana Silveira, Aline Anfilo e Geni Cavalcanti proporcionam aos pequenos a magia da infância. Os ingressos estão à venda na bilheteria da Unidade (R$ 1,00 - trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculados e dependentes; R$ 2,00 - usuário matriculado, deficientes físicos, aposentados, maiores de 60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino, e R$ 4,00 - inteira).

A apresentação conta a história da menina Helena, que sente-se confusa em relação ao seu tamanho, já que em algumas situações sua mãe diz que está bem grandinha e em outras seu pai diz que ainda é muito pequenininha. Em meio a essa dúvida, Helena embarca em uma viagem com Bolão, um boi feito de mamão, e encontra amigos que ora podem ajudá-la e ora a confundem ainda mais. Baseado na obra de Ana Maria Machado, escritora de renome internacional e muito premiada pelo mundo afora por sua obra para crianças, a peça diverte e emociona ao mostrar quanto os pais confundem os filhos de acordo com a conveniência, rendendo deliciosos e divertidos momentos ao espetáculo. Durante a encenação, as atrizes se revezam no papel de Helena e nos outros personagens, configurando uma dinâmica bem interessante, pois o público infantil percebe as diversas possibilidades de encenação de um mesmo texto.


Maio traz de volta a epopeia tropeirista

Semana do Tropeiro chega a sua quadragésima-sexta edição e eventos ligados à tradição tropeira monopolizam a agenda cultural do mês

Maio celebra tradicionalmente o Tropeirismo em Sorocaba, já que era neste período que nos séculos XVIII e XIX ouvia-se o famoso grito do "Rebentou a feira!", quando aqui `fechava-se' a primeira grande transação de venda de muares trazidos do Sul pelos tropeiros com negociantes interessados nos animais, que serviriam principalmente ao transporte nas regiões das minas no Centro-Oeste brasileiro. Neste ano, como informa a Prefeitura, centenas de atividades acontecerão em escolas, empresas, instituições e espaços públicos marcando a 46ª Semana do Tropeiro, que terá seu ponto alto entre os dias 20 e 26, tendo como principal novidade a mudança de local do tradicional `pouso dos tropeiros': até o ano passado o evento era realizado no Parque Natural "Chico Mendes", no Alto da Boa Vista; agora, acontecerá também no Parque das Águas, onde haverá shows, praça de alimentação típica e a recepção de cavaleiros, muladeiros e tropeiros da contemporaneidade.

Também segundo a Secretaria Municipal de Cultura e Lazer, que centraliza a preparação desta 46ª Semana do Tropeiro, uma formatação mais atualizada é projetada para o evento, tanto no que diz respeito aos espaços de celebração, quanto ao acolhimento dos tropeiros que participarão da 8ª Tropeada Itararé-Sorocaba, que começa a percorrer o trecho de quase 360 quilômetros entre as duas cidades no dia 17 de maio.

Da programação geral, já a partir desta quinta-feira (2), até 31 de maio, por meio do Programa `Escola da Família' as escolas da cidade recebem a Exposição "Cultura e o Resgate do Tropeirismo", enquanto que classes de primeira fase do Ensino Fundamental, com alunos de 6 a 12 anos de idade, serão convocadas a visitar na Biblioteca Infantil Municipal, na rua da Penha, 673, entre os dias 2 e 16, a Exposição "A Mula", apresentando a mula como principal matéria de trabalho do tropeiro sorocabano, fonte de riqueza e divulgação do Município em nível nacional. A mostra, abordando ainda as características básicas da mula, sua utilização e declínio do comércio, reunirá figuras confeccionadas pela equipe da Biblioteca Infantil, objetos, miniaturas e instrumentos de trabalho do tropeiro na lida com o animal. "Vivências Tropeiras - Traias e Tropas" é o tema de outra exposição, com parte das obras do artista plástico, pesquisador e historiador voltado ao tropeirismo Mário Matos, de 6 a 31 de maio, das 9 às 17 horas, na Casa 52, sede da Academia Sorocabana de Letras, no Jardim Maylasky, defronte à antiga Estação Rodoviária.

Muitas outras atividades estão sendo preparadas e vão sendo divulgadas oportunamente.


IN MEMORIAM

Desaparece Paulo Vanzolini, cientista que deixa legado inestimável à Música Popular

"Quando Deus me fez zoólogo sabia o que estava fazendo", costumava dizer Paulo Emílio Vanzolini, que faleceu domingo (28) morreu, aos 89 anos de idade, acometido por pneumonia, e foi sepultado segunda-feira à tarde no Cemitério da Consolação, no centro histórico de São Paulo, por ele tanto admirado e cantado em verso e prosa. Formado médico pela Universidade de São Paulo (USP) em 1947 - apenas para conhecer melhor os vertebrados, como ressalvava sempre -, dirigiu por 31 anos o Museu de Zoologia da USP, tendo sido responsável pela formação de uma excepcional coleção de espécies, "uma das melhores do mundo", como orgulhava-se. Parte dessa coleção ele próprio coletou ao longo de 11 mil quilômetros de rio na Amazônia, num barco de pesquisa financiado pela Fapesp. "Andava no mato e comprava bicho: 500 reais uma lagartixa, 5 mil reais uma cobra", como contou em depoimento ao Museu da Pessoa, publicado em novembro de 2011. Por 40 anos, andou atrás de répteis e anfíbios pelo Brasil inteiro.

O cientista e pesquisador deixa, porém, legado inestimável e de idêntico valor também à Música Popular Brasileiro. Seresteiro apaixonado nas horas vagas, o professor dr. Paulo Vanzolini será, certamente, sempre lembrado como um dos grandes nomes do samba paulista, compositor de clássicos como Ronda, Praça Clóvis e Volta por Cima. Ainda na época da Faculdade de Medicina na década de 40, integrou as `caravanas' musicais do Centro Acadêmico "XI de Agosto, da Faculdade de Direito do largo de São Francisco, no centro histórico de São Paulo, participando de shows pelo Interior. Mas a paixão pela Música veio na virada de 1948 para 1949 em Boston, quando fazia doutorado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. "Na primeira vez que entrei num bar de jazz eu quase desmaiei", contou também ao Museu da Pessoa. A primeira música gravada foi "Ronda", considerada um ícone e hoje verdadeiro hino à cidade de São Paulo, escondida no lado B de "Moda da Pinga", com Inezita Barroso, que só fez sucesso mais tarde, na voz de Márcia. Ganhou dinheiro, contudo, bem depois, já nos anos 60, com "Volta por Cima", imortalizada na voz de Noite Ilustrada. "Comprei livro. Comprei uma biblioteca inteira de livros antigos", contou. "Eu comprava e não perguntava o preço. Comprava em dólar".


 

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