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<< Emissão de CNH aumenta 18% no último ano

Publicada em 27/04/2013 às 20:24
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Em duas vezes por semana, são feitas provas práticas de carro no Wanel Ville (Foto: Fernando Rezende)
De acordo com dados do Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo), a 19ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Sorocaba registrou um aumento de aproximadamente 18% na emissão de CNH (Carteira Nacional de Habilitação) de 2011 a 2012. Foram 1.675 a mais no último ano, já que 2011 fechou com 9.218 e o ano passado, com 10.893 novas habilitações. Até a primeira quinzena de março deste ano, já haviam sido emitidas 1.659 permissões, número acima da média se comparado com 2012. Ao todo, são 313.972 carteiras registradas na cidade, o que representa metade da população estimada. 

Dessas, levando em consideração apenas as de categoria B, para dirigir automóveis, as mulheres estão na frente com 89.384 habilitações, contra 70.906 dos homens. A situação inverte totalmente na categoria E, onde são 32 mulheres e 2.549 homens. A categoria E permite ao condutor dirigir automóveis articulados como caminhões e ônibus. Mas, para isso, é necessário que o aluno tenha habilitação nas categorias B, C ou D, nesta última por pelo menos um ano, e não ter cometido nenhuma infração grave ou gravíssima nem reincidência de multas médias nesse período. Na categoria A, para motos, 3.142 são do sexo masculino e 1.148 feminino; já na categoria A/B, a diferença é ainda maior, pois são 19.242 mulheres e 56.601 homens. 

DOCUMENTOS – Ao completar a maioridade, basta procurar uma autoescola e dar entrada na documentação para a emissão da CNH, que hoje demora entre três e quatro meses para ser concluída. Em Sorocaba, o valor médio para habilitação de carro varia de R$ 800,00 a R$ 950,00; já para carro e moto, sai por R$ 1.200,00 a R$ R$ 1.450,00. No valor não estão inclusos gastos com exames médico e psicotécnico. A primeira etapa é cumprir 45 horas de aula teórica no CFC (Centro de Formação de Condutor), que dura cerca de nove dias, como explica Adnilson Francisco de Oliveira, sócio-proprietário de um centro de formação da cidade. 

Há 20 anos no mercado, ele iniciou como instrutor de aulas práticas e tem experiência nas duas etapas de formação do condutor. “É importante o aluno vir pra aula sabendo que é necessário apreender o conteúdo. Mas a responsabilidade é muito maior nas aulas práticas, pois com a convivência acaba criando um laço de amizade.” Ele afirma que a maior dificuldade dos alunos quanto ao conteúdo teórico é, sem dúvida, a legislação. Entretanto, ao longo dos anos, percebeu que cada vez mais os alunos estão se conscientizando. “Porém, sempre vai existir aquele que sabe tudo ou que não presta atenção.” A auxiliar administrativa Pâmela Galvão, 21 anos, que ainda está frequentando o CFC, não teve pressa em entrar com a documentação e confirma a fala de Oliveira. “Não tinha vontade de dirigir, por isso só iniciei agora. Percebo que tem muita gente mexendo no celular durante a aula e, pra mim, o mais complicado é o conteúdo de leis e infrações.” 

PRÁTICA - Concluindo as aulas, o aluno presta uma prova escrita e só então inicia a prática. É obrigatório cumprir dezesseis horas de aulas diurnas e quatro noturnas, o que, segundo Oliveira, complica a vida de quem trabalha e estuda. “Ele acaba tendo de sacrificar um dos dois. Acho que deveria ter mais flexibilidade.” Tanto as aulas como as provas, às terças e quintas-feiras, ocorrem no bairro Wanel Ville e movimentam as ruas da região.

Trabalhando como instrutor há quatro anos, Willian Dutra Apolinário diz que 70% dos alunos possuem entre 18 e 22 anos de idade, e o mais difícil no início do aprendizado é se adaptarem ao veículo. Uma das causas é que muitos jovens acabam aprendendo a pilotar antes de completar a maioridade. “Não é aconselhável que façam isso, até mesmo devido ao alto índice de mortalidade por imprudência no trânsito. Eles precisam aprender as leis”, afirma. Para ele, a responsabilidade e o sucesso nas aulas e na prova é dividida com o aluno, e o ideal seria que a educação de trânsito se iniciasse ainda na infância. “Na nossa cidade, o trânsito infelizmente está péssimo. Sorocaba cresceu muito, o que é bom, mas a mentalidade dos condutores ainda é de um município pequeno.” 

Quando completou 18 anos, o operador de máquinas Daniel de Oliveira Silva trabalhava e estudava, o que ocupava todo o seu tempo, e acabou não tirando a habilitação de imediato. Agora, aos 26 anos, tem até o próximo mês para conseguir o documento, pois, a partir do momento em que inicia a documentação, há o prazo de um ano para concluir todas as etapas. “Fiz a prova teórica e fui reprovado, então fiquei parado uns cinco meses. Depois estudei por conta própria e passei na segunda tentativa”, explica. Nessa semana, ele esperava conseguir realizar corretamente todo o percurso da prova prática, pois já estava na sua quarta tentativa. “Mesmo que a gente saiba fazer tudo, na hora bate um nervosismo e atrapalha”, revela. Quando reprovado, o aluno precisa desembolsar R$ 150,00 para fazer uma nova prova prática. “Já estou pagando outra carta”, brinca Silva. 

A partir do segundo semestre deste ano, as autoescolas serão obrigadas a ter um aparelho que simula situações reais de trânsito, como dirigir na chuva, num congestionamento e em aquaplanagem. Em 2009, o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) iniciou os estudos do projeto e a resolução, que vale em todo o País, saiu somente em outubro passado. Os candidatos terão cinco aulas de 30 minutos cada uma no aparelho. Para adquirir o simulador, os comerciantes farão alto investimento e o custo poderá ser repassado aos alunos.    


Motoristas correm risco de ter habilitação suspensa

Somente nos primeiros três meses deste ano, o Detran-SP enviou aproximadamente duas mil notificações para condutores com habilitação registrada em Sorocaba que podem ter o direito de dirigir suspenso. A ação extrema pode ser resultado do acúmulo de 20 ou mais pontos na carteira ou de uma única infração gravíssima, cuja penalidade está prevista no CTB (Código de Trânsito Brasileiro). A suspensão da habilitação tem período de pena variável e precede a cassação, que sempre ocorre no período de dois anos. 

Os condutores notificados não têm o direito de dirigir suspenso imediatamente, pois podem apresentar defesa e recorrer das multas. Aos que não atingiram o limite de 20 pontos, o efeito suspensivo de possíveis multas é anulado em 12 meses da data da infração e também pode entrar com recurso. A lista de motoristas que podem ter a CNH suspensa é publicada semanalmente no "Diário Oficial" do Estado. Também é enviada uma carta ao condutor no endereço cadastrado no sistema do Detran-SP. A partir de então, ele tem prazo de 30 dias para apresentar sua defesa e, caso seja negada, deve entregar seu documento ao órgão, pois estará em situação irregular.

Para reaver a carteira, o motorista deve fazer curso de reciclagem, previsto na resolução 285 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito). Nele terá de assistir a 30 horas de aula num CFC ou fazer o curso a distância. Concluído o processo, ele presta uma prova com 30 questões e deve acertar mais de 70%, o que representa 21 questões no mínimo. Porém, caso seja autuado dirigindo ou cometa alguma infração durante o período de suspensão, a lei prevê a cassação da carteira de habilitação por dois anos. 

 

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