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<< Acessibilidade é um desafio para cadeirantes sorocabanos

Publicada em 16/01/2013 às 20:47
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Marco de Oliveira Preto atravessa a rua Dr. Luiz Ferraz de Sampaio Junior na rampa localizada fora da faixa de pedestres em frente à vaga exclusiva de deficientes (Foto: Fernando Rezende)
Sorocaba está vivendo constantes transformações no trânsito, que hoje é muito diferente de 10 anos atrás, e já existem comparações com o caótico trânsito da Capital. Com essas mudanças, surgem muitos desafios para a administração e gerenciamento do trânsito da cidade e também para os motoristas e pedestres. Os problemas surgem, muitas vezes, com soluções simples e outros que parecem não ter solução. 

Faixas de pedestres e calçadas rebaixadas para acesso de cadeirantes é uma solução simples para a população. No entanto, o que parece ser comum, torna-se um desafio na cidade. Em alguns cruzamentos as guias rebaixadas estão longe da faixa de pedestre ou simplesmente não existem.

É obrigação da administração tornar ruas e calçadas da cidade de fácil acesso a cadeirantes e deficientes físicos em geral. Para isso, os órgãos públicos precisam adequar as vias já prontas e inserir, por exemplo, rampas de acesso em novos projetos. Mas não é bem isso que se observa em Sorocaba, pois as guias rebaixadas existem apenas em algumas calçadas, e nos bairros periféricos a situação é ainda pior.

FORA DA FAIXA – A rua Dr. Luiz Ferraz de Sampaio Junior, no Centro, é utilizada principalmente pelos motoristas do transporte urbano quando saem do Terminal Santo Antônio (TSA) em direção ao centro da cidade. A guia é rebaixada depois da faixa de pedestres e em frente há uma vaga de estacionamento exclusiva para deficientes. Assim, aquele que parar com o veículo, usando o direito sinalizado por pintura e placa, irá atrapalhar o que deseja atravessar pela rua. No canteiro localizado no meio da via e no sentido do terminal, o rebaixamento está correto em frente à faixa.

EXPERIÊNCIA - “Isso não existe. As rampas precisam estar alinhadas ou não!”, afirma o aposentado Marco de Oliveira Preto, que há 23 anos ficou paraplégico após um acidente de trabalho. Para conseguir cumprir obrigações como pagar conta e ir à consultas médicas e fisioterapia, ele anda por toda a cidade e pode relatar como está a acessibilidade. “Não basta ter rampas, elas precisam ser suaves para ninguém cair. Acontece também de ter um buraco entre a guia e a rua. Como tenho experiência de 23 anos, sei me virar, mas quem é novo nisso precisa fazer muitas manobras.”

Ele também comenta uma curiosidade. Na rua Cel. Benedito Pires há uma rampa de acesso para a rua Dr. Álvaro Soares, mas a partir daí os cadeirantes precisam seguir pela rua, pois não tem como subir em frente ao relógio do Mercadão. Uma das recentes experiências de Preto foi na ida à fisioterapia, na avenida General Carneiro. Ele decidiu ir de cadeira de rodas do Centro até a clínica, para conhecer o caminho. “Eu previa que iria encontrar alguma dificuldade, mas fui mesmo assim. Em uma rampa, a cadeira empinou e tive que me segurar”, explica.

Segundo o aposentado, nos bairros a situação é ainda mais difícil, pois, mesmo que as guias sejam rebaixadas em alguns pontos, as calçadas não são niveladas. “Às vezes, você está na calçada, precisa voltar atrás e seguir pela rua porque tem um desnível muito grande.” 

A Urbes – Trânsito e Transportes alega que o município está adotando o recurso de acessibilidade à medida que implanta novos projetos ou corrige os anteriores, em parceria com a Secretaria de Obras (Seobe), conforme disposto no NBR 9050 da ABNT. 

Já a Seobe informa que vem observando as normas de acessibilidade determinadas pela legislação em todos os projetos desenvolvidos e obras públicas em andamento, seja de reurbanização e implantação de espaços públicos; reformas, ampliações ou construções de prédios públicos, como escolas, unidades de saúde, Centros de Educação Infantil, entre outros; implantação, duplicação e reurbanização de avenidas; e construções, reparos ou manutenções de calçadas.

A obra no piso do Centro, por exemplo, teve um projeto específico referente à acessibilidade. Outro exemplo de preocupação da Prefeitura com os portadores de necessidades especiais é a construção do banheiro público na Praça Cel. Fernando Prestes.

TRANSPORTE – Segundo a Urbes, o Sistema de Transporte Coletivo de Sorocaba possui 86% da frota adaptada com elevadores para receber usuários cadeirantes ou com dificuldade de locomoção. Nesse quesito, Preto diz que não tem do que reclamar. “Eu só ando de ônibus, está excelente o transporte! Eles colocam a gente pelo elevador, tudo funciona.” Pela facilidade do transporte público, ele prefere evitar transporte particular. 

Numa empresa de táxi da cidade, há somente um carro adaptado para deficientes. Segundo o atendente, é recomendável pedir o carro cerca de uma hora antes para verificar se o motorista não possui nenhum atendimento agendado. A partir da chamada, o carro sai do ponto com o taxímetro rodando e o cliente precisa pagar até R$ 10,00 a mais na corrida.

 

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