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<< Atendimentos aumentam 30% no CVV da cidade

Publicada em 22/12/2012 às 19:23
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(Foto: Fernando Rezende)
Fim de ano é época de festejar o Natal e o ano-novo. O clima favorece a reunião entre amigos e familiares, porém não é difícil encontrar pessoas que não gostam dessas festividades. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional para essas pessoas, e tem aumento de 30% de ligações neste período do ano, segundo o coordenador de divulgação da entidade, Alcebíades Alvarenga da Silva. “Essas são as datas mais significativas e é muito promovido como data de família. Mas alguém que perdeu um ente querido há pouco tempo vai se sentir como?”, indaga. 

Nesses momentos, a maioria das pessoas está reunida e pensando em si mesma, e as demais que, por algum anseio, precisam de alguém para conversar, não encontram ninguém. Alvarenga conta que a maioria não quer incomodar ou atrapalhar os amigos, e precisa de atenção. “Aqui nós não damos conselhos, não podemos interferir e manipular a situação; mas ouvimos todos com muita compreensão, amor e respeito.” Ele fala que os próprios usuários resolvem os problemas. “É como organizar um armário: a gente tira tudo e vai separando o que não quer mais e organiza o restante de volta. Às vezes, as pessoas ligam, desabafam e a gente quase não fala nada. Eles, então, dizem: obrigado, já sei o que fazer!”, exemplifica.  

PERFIL – A unidade do CVV em Sorocaba atende à cerca de 1.200 ligações mensais, e a maioria parte de mulheres. Porém, quando homens buscam o serviço, o estágio de angústia já está bem mais avançado. “As mulheres conversam muito entre si, se abrem umas para as outras. Os homens demoram mais, por isso, quando ligam, a situação já está mais grave”, afirma o coordenador. 

O atendimento também é feito por meio de cartas e há dois anos, pela internet, através de chat online, email e skype. Os usuários que utilizam esse meio de comunicação, são pessoas que não podem se locomover e em grande maioria jovens entre 14 e 18 anos de idade. “Esse é o instrumento mais usado por eles, por isso preferem se comunicar pela rede; e cerca de 30% fala em vontade de tirar a própria vida.” 

TREINAMENTO - O CVV existe há 29 anos na cidade e atualmente conta com cerca de 70 voluntários. O trabalho é sigiloso e os usuários não precisam fazer nenhum tipo de identificação. “Eles decidem tudo: quando ligar, o que falar e quando desligar”, salienta Alvarenga. Mesmo com essas opções de atendimento, também é possível ir pessoalmente ao CVV em horário comercial, das 8 às 18 horas, de segunda a sexta-feira. 

Para fazer parte da equipe, os interessados devem ter mais de 18 anos, boa vontade e disponibilidade de pelo menos quatro horas semanais. O próximo curso de capacitação de voluntários deve ocorrer em fevereiro e dura três meses. Como o atendimento é por 24 horas, é organizada uma escala de voluntários para que sempre haja alguém de plantão. O centro sempre precisa de pessoas interessadas em ajudar o próximo, pois alguns trabalham apenas por algum tempo e deixam um déficit na equipe. Há também um posto avançado de atendimento, que visita a Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba três vezes por semana. Lá os voluntários conversam com pacientes, seus familiares e a comunidade em geral.  

AJUDAR O PRÓXIMO – Mas o que leva uma pessoa a oferecer o seu tempo e, até mesmo, deixar de estar com a família? Segundo um dos voluntários do CVV, identificado por Claudemir (eles usam nomes fictícios no atendimento), foi após um curso de autoconhecimento que ele decidiu trabalhar no centro. “Eu sempre estive envolvido em trabalhos em prol da sociedade. Mas, após o curso, onde aprendemos muito sobre gratidão, passei a ver que muitas pessoas não têm o que tenho. Dei mais valor à vida e decidi ajudar.” 

Ele já está atendendo há um ano no CVV, e antes disso já tinha curiosidade em saber mais sobre o assunto. “Há uns dez anos assisti a uma entrevista de um dos fundadores do CVV aqui no Brasil, passou no Jô Soares. Mas só agora sei como funciona. Antes eu achava que, ao desabafar a uma pessoa, estaria transferindo meus problemas a ela.” Agora, Claudemir disse que percebe que era orgulho de sua parte, e após os atendimentos, independentemente de quem liga, ele faz reflexões sobre a vida.  

CONTATO – Em Sorocaba, o CVV tende pelo telefone (15) 3232-4111, skype "cvvsorocaba", pelo número nacional 141, e pessoalmente na rua Dr. Nogueira Martins, 334, no Centro. 

 

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