Sexta-Feira, 22 de Novembro de 2019

Diário de Sorocaba





Leia a edição impressa na íntegra


Clique aqui para acessar a edição do dia
buscar

<< Falta de médicos provoca caos no P.A. da zona oeste

Publicada em 29/11/2012 às 23:54
Compartilhe: IMPRIMIR INDICAR COMENTAR

(Foto: Fernando Rezende)
Chegar a um Pronto-Atendimento e ser informado por funcionários de que a espera é de até cinco horas, causa indignação em qualquer pessoa. Foi justamente o que aconteceu ontem na Unidade Pré-Hospitalar da zona oeste. Pacientes que chegaram às 10 horas ainda não haviam passado por atendimento até as 15 horas. Apesar das várias reclamações, os funcionários que estavam no local não quiseram dar nenhuma declaração, limitaram-se a dizer que tinha médico para atendê-los. Segundo um paciente, um dos responsáveis em fazer a triagem informou que o prefeito realizou cortes, de quatro para dois médicos plantonistas. Algumas pessoas disseram que na quarta-feira a situação era a mesma. 

Chorando de dor, o aposentado Olavo Agostinho do Nascimento estava numa cadeira de rodas, pois há uma semana não está se alimentando normalmente, o que ingere não para no organismo, e também tem diabetes. Ele queria um local em que pudesse deitar, mas não foi encaminhado para nenhum leito. “No dia 27 de outubro eu nem votei, pois fiquei aqui o dia todo. Eles me mandaram para a Santa Casa e me encaminharam a um cardiologista com urgência, mas a consulta é no próximo dia 3, mais de um mês depois”, conta. Sua esposa, Francisca Maria de Jesus, contou que o marido não gosta de ir ao P.A. “Ao invés de vir aqui e sofrer com o descaso dos funcionários e esperar o dia todo para ser atendido, ele prefere sofrer em casa”, lamenta. 

A doméstica Sueli Aparecida de Souza chegou por volta das 10h30 da manhã, passou por exames laboratoriais, mas nenhum médico prescreveu medicamentos. “Estou com dores no canal da bexiga, e ainda um funcionário disse para eu ir ao posto de atendimento do bairro onde moro, no Santa Marina. Mas, como trabalho aqui perto, eu vim direto. E mesmo que eu fosse em outro local, eles devem atender onde a gente for.” Sueli disse que iria ficar esperando até ser entendida, pois, além de tentar resolver seu problema de saúde, precisava de uma declaração para não perder o dia de serviço. 

Após cinco minutos que a reportagem do DIÁRIO chegou ao local, os pacientes começaram a ser chamados para a sala de espera, e muitos diziam que era para não ficarem na entrada mostrando que estavam sem atendimento. O método resultou numa aglomeração de gente nas duas salas, na entrada e na triagem. 

O forneiro Marcos Gomes estava realizando um serviço extra pela manhã para completar a renda do mês, mas acabou sofrendo um acidente e também estava desde as 10 horas sem atendimento. “Um tijolo caiu no meu pé e não consigo nem pisar com ele no chão. Hoje é noticiado que vão retirar o aparelho de radiografia, como o povo fica?”, questionou. Já a professora Maria Antônia Quesada estava acompanhando o filho, que aguardava atendimento. Ela também havia passado por uma consulta, mas em outro local. “Eu tenho convênio, passei pelo médico e fui dispensada do serviço porque tenho que ficar em repouso, pois tenho problema na coluna. Mas vou ficar aqui esperando que atendam meu filho, ele não tem convênio.” A professora indigna-se dizendo que a população paga para ter os serviços, mas não é isso que acontece. “É triste a situação aqui, ninguém está fazendo favor pra gente, cada pedaço daqui é meu, é seu, de todos nós que pagamos impostos. E mesmo que tenha médico, eles atendem em um minuto e nem olham os pacientes, nem examinam.” 

A Secretaria da Saúde alegou que todas as urgências e emergências que chegaram à unidade foram prontamente atendidas. Demais casos avaliados pelo acolhimento foram e estão sendo atendidos na sequência, no entanto o movimento ontem estava acima do normal. 

Ainda segundo nota, a unidade da zona oeste estaria com quatro médicos fazendo o atendimento. Um deles faltou ao trabalho nesta data, mas foi providenciado outro profissional para o seu lugar.


Não há comentários nessa notícia.Seja o primeiro a comentar