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Publicada em 29/11/2012 às 23:50
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(Foto: Fernando Rezende)
Na manhã de ontem, os especialistas responsáveis pelo projeto de restauração do futuro Shopping Pátio Cianê estiveram na cidade para um encontro com funcionários envolvidos na obra, arquitetos, engenheiros e representantes do Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico. O encontro ocorreu numa ala do empreendimento, onde foram apresentados os estudos minuciosos feitos antes mesmo do começo das obras, bem como sobre os materiais encontrados em escavações.

Segundo Francisco Maximiano Zorzete, da CO Restaurações, a conversa serviu principalmente para integrar a equipe e apresentar os projetos de educação patrimonial. Ele explicou que as empresas que atuam nesse setor seguem normas internacionais, e também são subordinadas a órgãos de preservação nacional e do Estado. 

ESTUDO – Antes mesmo do início das obras, as empresas desenvolveram estudo histórico da cidade, da época antes da construção do prédio da Cianê, durante o funcionamento da indústria e após o período de desativação. Zorzete explicou que existem recursos que possibilitam o escaneamento de toda a área a ser estudada, onde eles catalogam desde as alas dos prédios até os mínimos detalhes. “Nós sabemos todos os materiais que foram utilizados na construção, os tijolos, detalhes arquitetônicos, até as maçanetas”, afirma. Também é feito um mapeamento de todas as rachaduras, trincas e ações do tempo nos prédios. No local do encontro, era possível visualizar nas paredes algumas cores, e o restaurador explicou que não são eles que decidem como deve ser a pintura do empreendimento. “É feita uma pesquisa cromática, descamação das pinturas existentes e o estudo que determina a cor que será utilizada.”

O representante do Estúdio Sarasá, Antônio Luís Sarasá, salientou que a restauração não é das empresas envolvidas, e sim, uma obra da sociedade. “A história não vai parar após a implantação do shopping, os estudos e os elementos resgatados possibilitam novas discussões e pesquisas; isto tudo está agregando à história”, afirma. Ele também comentou sobre a participação da população nesse processo de preservação. “Nas redes sociais, cerca de 15 mil pessoas estão interessadas no assunto e, futuramente, o empreendimento terá um canal de informações de toda a história da Cianê. O pessoal vai poder vir ao shopping e junto com familiares relembrar o passado, pois muitos trabalharam aqui na indústria.” 

A população é uma parte fundamental no processo de resgate da história, tanto que antigos funcionários e pessoas que moravam no entorno da indústria foram ouvidos para complementarem os detalhes. 

MATERIAIS ARQUEOLÓGICOS - Segundo a arqueóloga da empresa Zanettini Arqueologia, Patrícia Fischer, os materiais encontrados nas escavações agregam ainda mais valor à obra. Entre os elementos estão principalmente louças inglesas, pois somente em 1913 surgiu a primeira fábrica desses artigos aqui no Brasil, e a construção é do século XIX. “Foram encontrados muitos objetos de uso comum da população, e que possivelmente foram despejados no local antes mesmo da construção da fábrica. Na época aqui era o limite entre a área urbana e a rural, e pode ter sido um espaço onde as pessoas jogavam o que não queriam mais usar”, conta. 

Patrícia também comentou que os tijolos contêm marcas de mãos e patas de animais, pois as olarias podem ter funcionado em áreas rurais, como chácaras e sítios. Todos os objetos encontrados são lavados e numerados, e posteriormente destinados a instituições como museus e universidades. “Os projetos arqueológicos dependem de endosso financeiro e institucional. As empresas recebem licença da Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) para escavar, e depois devem ser destinados a alguma instituição que queira e possa receber os objetos”, conta.

PRESERVAÇÃO – Ainda sobre a preservação do prédio histórico, Sarasá explica que desde o início o empreendimento teve um caráter histórico, e os estudos começaram em 2005. “Esse é o diferencial do shopping. Nasceu no conceito de foco total na restauração e preservação, e não somente de caráter comercial. 

Com investimento de R$ 360 milhões, o empreendimento tem previsão de entrega para o segundo semestre de 2013, contará com 1.240 vagas no estacionamento, praça de alimentação, 226 lojas, sete delas âncoras, e 12 megalojas e salas de cinema.  

 

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