Sábado, 7 de Dezembro de 2019

Diário de Sorocaba





Leia a edição impressa na íntegra


Clique aqui para acessar a edição do dia
buscar

<< Crianças de até sete anos não podem ser transportadas em motocicletas Mesmo proibidas de usar esse meio de transporte, essas crianças figuram entre as vítimas de acidentes de trânsito no Brasil

Publicada em 15/10/2012 às 23:33
Compartilhe: IMPRIMIR INDICAR COMENTAR

O operador de produção Marinaldo Souza nunca transporta seu filho Gabriel, de quatro anos, na motocicleta (Foto: Fernando Rezende)
De 2000 a 2011, a frota de motocicletas no Brasil teve um crescimento expressivo de 357%, conforme apontam dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Seguindo essa tendência, a fatalidade nesta categoria de veículos também aumentou. É o que revela levantamento da Seguradora Líder DPVAT, administradora do Seguro DPVAT, que indeniza vítimas de acidentes de trânsito nos casos de morte e invalidez permanente e reembolsa despesas médicas e hospitalares. No mesmo período, as indenizações por morte envolvendo motocicletas cresceram 134%, chegando a 17.812 casos no ano passado, enquanto as indenizações por invalidez permanente cresceram 1.378%, alcançando o número de 108.264 casos no ano passado.

Em Sorocaba, de julho do ano passado a julho deste ano, aconteceram 707 acidentes envolvendo motocicletas, sem que alguém tenha se machucado. Com vítimas, o número sobe para 2.437; mortos foram 19. O total de acidentados, portanto, é de 3.163. Os meses em que ocorrem mais acidentes são agosto e setembro. Os que envolveram diretamente motociclistas transportando crianças foram 11 acidentes, quase um por mês. As informações são da Urbes – Trânsito e Transporte. 

O operador de produção Marinaldo Santos Souza, 27 anos, possui motocicleta desde 2005 e nunca leva seu filho, Gabriel Ryuha Watanabe Souza, de quatro anos, com ele na moto. “Acho muito errado quem faz esse tipo de coisa, é uma irresponsabilidade muito grande. Dirijo faz sete anos e já vi quase de tudo no  trânsito, inclusive isso. Sempre que tenho que sair com meu filho, nós vamos de carro.”

A Urbes informa que, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, a criança somente poderá ser transportada na motocicleta, ciclomotor e motoneta a partir de sete anos de idade e que, na ocasião, também tenha condições de cuidar da própria segurança independente da idade permitida. Normalmente é a partir de sete anos de idade que a criança já tem estrutura física para se manter nesta condição na garupa da moto. 

Para verificar esta condição, a criança deve conseguir enlaçar a cintura do condutor, apoiar totalmente os pés calçados (sapato fechado) na pedaleira, estar com uma vestimenta adequada e nunca deve ser transportada sobre o tanque, entre dois adultos ou mesmo no colo do passageiro. A criança deve estar com capacete do tamanho compatível com a cabeça e corretamente afivelado. Em nenhuma condição deve ser usado um capacete de adulto. O tamanho incorreto do capacete deixa a cabeça mais pesada, o que pode acarretar no desequilíbrio da criança e, possivelmente, do condutor, o que acabaria favorecendo uma queda.

O mesmo tipo de risco é causado quando a criança está transportando mochilas - estas devem ser evitadas ou transportadas em compartimentos próprios. O condutor deve a todo o momento certificar-se das condições de conforto e segurança da criança mantendo-a alerta evitando que se distraia ou durma. Não se pode esquecer que a exposição ao risco neste tipo de condução é elevada e deve sempre que possível ser evitado.

Possíveis soluções

Para abordar as soluções possíveis para o trânsito seguro de motos, especialistas e órgãos de trânsito estiveram reunidos no dia 13 de setembro, na Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal. Para Ricardo Xavier, diretor-presidente da instituição que administra o seguro DPVAT, também presente no encontro, debates como esse são importantes para a troca de dados visando a um panorama mais preciso da real situação da violência no trânsito brasileiro. "Apesar de os acidentes com motocicletas atingirem em maior número os jovens, essa é uma realidade que afeta a toda a população do País. Levantamentos do DPVAT apontam, por exemplo, um aumento na acidentalidade envolvendo crianças transportadas por motos. Estatísticas como essa são importantes para que seja traçada uma política eficiente de trânsito seguro de motos pensando em toda a sociedade brasileira", disse Ricardo Xavier.

O estudo citado aponta que nos últimos quatro anos houve 1.582 indenizações por morte e invalidez permanente entre crianças de 0 a 10 anos quando estavam sendo transportadas por motos. Chama a atenção o fato de 58% destes casos terem acontecido com crianças de até 7 anos, justamente a faixa etária proibida pelo Código de Trânsito Brasileiro para transporte em motos. "O CBT estabelece como infração gravíssima conduzir motocicleta, motoneta e ciclomotor, transportando criança menor de sete anos ou que não tenha condições de cuidar da sua própria segurança. Portanto, esse dado representa não só a irresponsabilidade dos adultos, como também a ampliação de uma prática ilegal", afirma o diretor-presidente da Seguradora Líder DPVAT.

Considerando somente os dados de 2011, nos casos de invalidez permanente decorrentes de acidentes com motos indenizados pelo DPVAT, 60% das ocorrências foram com vítimas de 18 a 34 anos, justamente a faixa que compreende grande parte da população economicamente ativa do País.

 

Não há comentários nessa notícia.Seja o primeiro a comentar