Sexta-Feira, 22 de Novembro de 2019

Diário de Sorocaba





Leia a edição impressa na íntegra


Clique aqui para acessar a edição do dia
buscar

<< Máfia dos flanelinhas causa transtorno a motoristas e lojistas nas ruas do Centro

Publicada em 05/09/2012 às 23:39
Compartilhe: IMPRIMIR INDICAR COMENTAR

Ameaças são constantes em várias vias da região central (Foto: Fernando Rezende)
Insustentável. Essa é a classificação de moradores, lojistas e usuários em geral do Centro da cidade para a situação dos olhadores de veículos nas ruas, os famosos “flanelinhas”. Eles aproveitam a total falta de fiscalização para tomar conta como se fossem proprietários do bem de uso comum, que são as vias públicas. Mandam e desmandam, ameaçam munícipes e motoristas, enquanto ganham sua vida de forma irregular. 

De várias regiões do Centro surgem reclamações de moradores e comerciantes que têm medo de se identificar e sofrer represálias. “Eles organizaram uma verdadeira máfia. E quem tenta lutar contra isso pode ter graves problemas, porque as ameaças são muito sérias”, disse um dos comerciantes prejudicados. Segundo ele, os flanelinhas combinam de esporadicamente mudar de ruas de atuação para disfarçar a “propriedade” das vias. Há quem afirme que existem empresários que alugam as ruas para os flanelinhas trabalharem, e que dominam o negócio. Para ser flanelinha, é preciso autorização dos mais poderosos do esquema. Uma outra fonte afirma que alguns dos "proprietários das ruas" estão em presídios, de onde comandam o negócio. 

O resultado de todo esse sistema paralelo recai sobre os motoristas que não encontram vagas para estacionar no Centro ou, se encontram, são ameaçados para não deixarem o carro em um local que – teoricamente – é público. Na rua Manoel José da Fonseca, no trecho entre as ruas Miranda Azevedo e Professor Toledo, há denúncia de que o flanelinha cobra valor mensal de pessoas que trabalham no Mercado Municipal, para que elas possam estacionar o carro “com segurança”. Além disso, quando o dono do veículo sai para almoçar, por exemplo, e a vaga fica disponível, o olhador impede e ameaça motoristas que pretendem estacionar ali, para guardar o lugar do cliente. Na tentativa de registrar um desses momentos, o fotógrafo do DIÁRIO foi notado e perseguido pelo flanelinha, sob intimidação de violência física. 

A rua da Penha também é um dos locais onde há situação semelhante. Um flanelinha que guarda motocicletas tomou cerca de três vagas que são destinadas a carros e, desde a manhã, organiza o estacionamento de seus clientes. As motos são colocadas muito próximas umas das outras e os comerciantes de sete lojas reclamam que isso atrapalha a travessia da rua por pedestres, e também evita que as vagas fiquem para possíveis fregueses. 

Na rua Dr. Nogueira Martins, nas proximidades da agência da Previdência Social, outro problema é constatado. Ali também há a prática de guardar vagas para mensalistas, e o sujeito que olha os veículos, segundo as reclamações, costuma sempre ser violento e mal-educado; se um motorista insiste em estacionar, pois está no seu direito, o flanelinha risca a lataria dos veículos, fura os pneus ou exige dinheiro sob forte chantagem. Nesse local, os comerciantes também reclamam. “Já denunciamos várias vezes, mas a Prefeitura não faz nada, não age, não fiscaliza. E não dá para bater de frente, porque podemos ser vítimas de represálias. É triste que o poder público tenha deixado a situação chegar a esse ponto”, reclamou outro lojista.

 

Não há comentários nessa notícia.Seja o primeiro a comentar