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<< Adolescentes usam álcool e drogas para ficar mais soltos “Estraga o corpo, tenho tontura; mas fico de boa e mais solto.” F., 13 anos

Publicada em 25/08/2012 às 18:43
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Uísque é um dos destilados preferidos dos adolescentes (Foto: Fernando Rezende)
O consumo de drogas e álcool na cidade cresce absurdamente. De acordo com os próprios jovens, o fácil acesso a uma “biqueira” ou à venda de bebidas e cigarros em supermercados aumentam ainda mais o consumo entre eles, alguns já a partir de 12 anos. 

B., estudante, 17 anos, contou que já usou diversos tipos de drogas. “Farinha, crack, maconha. Agora só cigarro e vodka ou uísque.” Ela usou por dois anos a cocaína – farinha - e disse que a droga lhe dava prazer. “Usava para curtir, ficar mais solta.” A adolescente afirmou que os pais sabiam e que a atitude da filha não agradava. “Eles ficam tristes, 'né'? Não foi esta a educação que me deram.”

A jovem de 15 anos, J., alega que já teve contato com vários tipos de drogas. “Agora só uso maconha e cocaína.” A adolescente refere-se às drogas ilícitas, pois, as permitidas, ela consegue comprar em estabelecimentos comerciais sem problemas. “Dá para comprar bebida e cigarro no supermercado e em bares, quando não consigo, peço para amigos”, contou. J. disse que bebe quase todo final de semana e que a mãe sabe dos passos da filha. “Às vezes, tem bebida em casa e minha mãe esconde. Ela não gosta de que eu beba.”

O namorado de J. tem 13 anos. F., o garoto, estuda na mesma escola da adolescente e contou que bebe com frequência. “Direto eu tomo uísque.” F. contou que bebe em todo final de semana e que a mãe não sabe. “Quem compra é meu irmão e eu bebo junto”, contou. Ele disse que não usa drogas, pois a bebida consegue oferecer a “brisa” que procura. O garoto sabe dos males do álcool, mas os ignora. “Estraga o corpo, tenho tontura; mas fico de boa e mais solto.”

É o que confirma a psicóloga Ivonete Galli. “Os adolescentes bebem para se soltar. Na balada, os garotos querem impressionar as meninas e bebem para tomar coragem.” Ela afirmou que as drogas têm alta sensação de prazer imediato e por isto é tão atrativa, mesmo sendo um universo perigoso. 

“Os adolescentes querem provar que os pais estão exagerando e que as drogas não fazem tão mal assim. Realmente, as drogas não têm um estrago total instantâneo. É ao longo do tempo. Até lá, eles já perderam o controle e estão viciados.” A especialista acredita que a facilidade de se adquirir o entorpecente e, ainda mais, drogas lícitas, é o que causa este aumento de consumo. “Hoje, com R$ 10 se compra crack e maconha facilmente. Bebidas e cigarros são vendidos sem fiscalização para menores.”

Ivonete afirmou que a curiosidade nesta fase é normal, e que os pais devem ficar atentos. “Observar o comportamento do filho, pois ele nunca vai chegar em casa drogado. A escola também deve exercer um papel de observadora, pois provavelmente este adolescente vai relaxar nas atividades de classe.” A psicóloga explicou que outros comportamentos como agressividade, sonolência e chegar tarde em casa pode ser indícios de que algo está errado. 

“Chamar para uma conversa é sempre bem-vindo e, se o caso já estiver fora do controle, pedir ajuda profissional”, aconselha a especialista. Ela salientou que doenças mentais podem ser desencadeadas por uso de drogas como a maconha, e que, se a carga genética for propícia ao vício, o uso por uma ou duas vezes pode ser desastroso. 

Para o professor Antônio Matos Fontana, psiquiatra, o consumo de drogas e álcool por adolescentes é fatal. “O organismo está ainda em desenvolvimento.” O especialista acredita que o trabalho de combate deve partir dos pais e dos comerciantes. “Os donos de bares não cumprem a lei e vendem este tipo de produto aos menores.” O médico afirmou que, com o tempo, os neurônios são destruídos e, consequentemente, ocorre a falência dos órgãos como o coração, pâncreas, rins, pulmão e fígado, quando a cirrose se manifesta. 

Fontana acredita que a descriminalização da droga não é uma boa atitude. “Caso isto aconteça, irá se instalar uma fase de baderna no País; eu tenho receio”, afirmou. O médico contou que entende a proposta, mas acredita que o Brasil não está preparado, e o consumo poderá ser desenfreado. 

TOLERÂNCIA - Segundo o professor Fontana, o consumo de álcool indicado a um adulto saudável é de uma dose de destilado, que equivale a 60ml. Nesta quantidade já existe 50% de álcool etílico. Na cerveja há 5% da substância, ou seja, o indivíduo pode consumir uma garrafa de cerveja ao dia. Para as mulheres a cota é diferenciada, pois o organismo feminino é mais vulnerável aos efeitos maléficos do álcool. O recomendado para consumo de uma mulher sadia é de 2/3 da quantidade do homem, ou seja, 20ml. 

O médico declarou que a pessoa que toma somente aos finais de semana, mas que exagera, pode ser considerado um abusador, ou seja, um nível inferior ao alcoólatra, que é aquele que tem a síndrome de abstinência várias vezes ao dia. 

 

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