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<< Feirantes acham trabalho árduo, mas gostam de lidar com o público Para eles, o sucesso na profissão é pela qualidade dos produtos que oferecem

Publicada em 24/08/2012 às 21:03
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Produtos de qualidade são procurados pelos clientes (Foto: Fernando Rezende)
Acordar antes das 4 horas da manhã, montar barraca, carregar e descarregar caixas e caixotes. Quando chega a casa ainda vai fazer compras e administrar o setor financeiro. Esta é a rotina de um feirante. Apesar de todo corre-corre, os profissionais gostam da vida que levam e dizem que o melhor da profissão é conversar com pessoas e fazer amigos. 

Maria Isabel Rocha, 70 anos, trabalha neste ramo há mais 50. Com sua família ao lado toca um negócio de venda batatas no Ceavo (Centro de Abastecimento de Hortifrúti de Votorantim). “Já vendi milho por muito tempo, mas agora vendemos batatas. Eu fico atendendo ao público e fazendo os pacotes de 1 quilo. Meu marido e meu filho fazem as outras coisas.” A senhora acredita que não trabalha, e sim, se diverte. “É um lazer. Faço amizade com todo mundo e não pretendo parar. Só quando não aguentar mais.”

O Ceavo atende a feirantes, supermercadistas e donos de restaurantes em busca do melhor produto. Carlos Dellai é o gerente deste espaço, que atende a 25 cidades da região. Ele vê mais de 400 pessoas por dia transitando nos corredores da feira. Já trabalhou como feirante por sete anos; vendia milho, mandioca, abobrinha e maracujá. “Era ótimo vender direto para o consumidor, pois a remuneração era melhor, já que os produtos são mais frescos e a clientela tem preferência pela qualidade.” Dellai também destacou o laço de amizade e confiança que existe entre freguês e feirante. 

O gerente acredita que o ponto positivo da profissão é poder servir da melhor forma o cliente. “O homem do campo sabe ofertar com qualidade para o homem da cidade.” Para ele, o ponto negativo é que não há folgas no trabalho. “Todo dia é dia. Faça chuva, sol ou frio, a barraca tem que estar de pé.”

Uma dos motivos de Moisés Martins Fontes deixar a feira foi o cansaço. “Trabalhei 25 anos como feirante e fui ficando velho; não aguentei mais.” Hoje ele é vendedor de verduras no Ceavo e consegue ter uma renda de R$ 6 mil por mês. “O dinheiro é variável. Tenho dez clientes fixos que compram bem, mas porque ofereço produtos de qualidade.”

Para João Carlos Paes Leme, 41 anos, o sucesso do feirante é a qualidade dos produtos oferecidos. “Ganho em média R$ 8 mil por mês, mas porque a clientela procura meus produtos.” Ele contou que a família dele é de feirantes. “Meus avós já plantavam e meus pais deram continuidade. Eu nasci e cresci na feira.” 

O comerciante acredita que a profissão não é valorizada e quer outro futuro para seus dois filhos. “Tenho um filho de sete e outro de dois anos. Quero que eles estudem e tenham uma profissão mais valorizada.” 

Ele acorda às 3 horas da manhã e vai dormir tarde. Folga somente às segundas-feiras, quando na verdade utiliza o tempo disponível para ir até São Paulo comprar frutas no Ceagesp. Aos feriados também trabalha. “Só Natal e Ano-Novo que tem descanso mesmo.”

“É uma profissão sofrida”, concorda a aposentada Filomena Ferraz. Ela compra os hortifrútis que vão à mesa na feira livre da Vila Amélia. “Aqui tem tudo fresquinho, a gente quem escolhe, não é como supermercado que colocam mercadorias feias para os clientes.” Ela concorda que os feirantes levam uma vida dura. “Acordam muito cedo, e montam a barraca sem saber se vão vender bem ou não.” 

BARRACA DO PASTEL - Virou regra ir à feira para comprar qualquer produto e depois comer um pastel. Existem pessoas que só vão à feira para saborear o salgado. São diversos sabores. Os tradicionais de carne, queijo e pizza deram espaço no cardápio para os mais sofisticados como bacalhau, carne-seca e o especial. Há também os doces - banana, brigadeiro, prestígio e até sonho de valsa que se tornaram uma deliciosa sobremesa. 

O movimento nestas barracas, que ficam no início e final da feira, é grande. Numa das barracas de pastel da feira da Vila Amélia são vendidos em média duas mil unidades por dia. São quase 40 sabores diferentes e o mais pedido é o de frango com catupiry. 

Para a funcionária do comércio Natasha de Camargo, 23 anos, trabalhar na feira é muito satisfatório. “Eu não me vejo trancada em um escritório. Aqui eu converso e faço amigos o tempo todo. Só posso dizer que é muito melhor do que trabalhar em uma loja ou escritório.” 

A dona de casa Miriam de Oliveira Amaral confessou que em dias de feira o prato servido no almoço é o pastel. “Não imagino a feira sem pastel. De quarta, sexta e domingo venho aqui comer. Às vezes, nem compro nada, mas passo na barraca.” O filho de Miriam, Braian, de apenas um ano e seis meses, vai à feira junto com a mãe e ela contou que o menino tem o gosto da maioria da clientela. “Ele adora frango com catupiry.”

 

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