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<< Região do Mercado Municipal é refúgio de moradores de rua Clientes estão deixando de frequentar o Mercadão

Publicada em 22/08/2012 às 22:37
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Andarilhos contam que têm de tudo na rua e que o motivo maior para deixar a casa é a bebida (Foto: Fernando Rezende)
Quem passa pelo Mercado Municipal, na área central da cidade, já reparou a constante presença de moradores de rua naquela região. Eles ficam andando pelas vias ou deitados na calçada. Comerciantes contam mais de 20; populares acreditam que pode passar de 50 o número de andarilhos. 

Vendedores das lojas próximas contam que a perturbação varia muito. “Têm alguns que cumprimentam e outros xingam. Eles ficam na porta dos comércios pedindo dinheiro e abordando clientes”, contou o comerciante Antônio Navarro Junior. Ele disse que a clientela de sua loja se sente desconfortável com a presença de mendigos. “Eles entram para pedir comida e dinheiro. O mau cheiro é inevitável e aqui lidamos com alimentos.” O comerciante já discutiu diversas vezes com estas pessoas para que não entrem mais em seu estabelecimento.  

Os lojistas dizem que as mulheres geralmente são mais agressivas e que a Guarda Civil Metropolitana (GCM) já não consegue dar conta da demanda. “Eles enfrentam os policiais, já presenciei agressões”, falou uma vendedora que prefere não se identificar. A moça contou que por vários momentos a sensação é de pena. “Tem um que está com uma calça de hospital. Ele vivia andando sem roupa. Alguém deve ter doado uma calça. Tenho muito dó.”

O comerciante Márcio Kenji Ishii, que tem um box de produtos naturais há 12 anos no Mercadão, conta que costuma conversar com os mendigos. “Muitos deles não têm família; alguns nem são daqui. Eu nunca os vi usando drogas, apenas ingerindo bebida alcoólica.” O comerciante afirmou que vários clientes já deixaram de frequentar o local por conta dos moradores de rua. “Às vezes, o cliente nem sai do carro e eles já pedem dinheiro.” Kenji contou que, com a presença do segurança do Mercado, inibiu um pouco a circulação de andarilhos. 

Renaldo Nogueira Soares, 33 anos, é um dos moradores de rua que ficam nas imediações do Mercado Municipal. Ele contou que está de volta às ruas há alguns meses e relatou sua vida. “Eu não uso droga, já usei crack, mas estou na rua por causa da bebida. Aqui encontrei pessoas melhores do que na minha própria casa.” O andarilho disse que é discriminado. “As pessoas se acham melhor que eu, mas eu sou apenas uma vítima da sociedade. Sou filho de Deus também e ninguém é melhor ou pior que eu.” 

O morador de rua, acompanhado de um amigo, mostrou as diversas cicatrizes de balas e marcas de brigas, e contou que se sente mal com os preconceitos. “Acham que a gente da rua é ladrão e bandido, mas eu mereço respeito e dignidade também.” Renaldo disse que o povo da cidade é muito solidário. “Só passa fome e frio em Sorocaba quem quer. Aqui a gente tem de tudo.”

 

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