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<< Auditores fiscais `comemoram' quatro anos sem reajuste Operação padrão começou, mas sem data para acabar

Publicada em 18/06/2012 às 22:31
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Manifestação foi pacífica com bolo representando o aniversário de quatro anos sem reajuste salarial (Foto: Fernando Rezende)
Bolo de aniversário e “parabéns a você”. Foi deste modo que auditores fiscais manifestaram ontem, na porta da Receita Federal de Sorocaba, no bairro Boa Vista, quatro anos sem reajuste salarial. A manifestação deu início à operação padrão e crédito zero, que afeta portos, aeroportos, estações aduaneiras, entre outros setores em que há carreiras típicas. 

Para o diretor do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), Marcus Vinicius Dantas, na verdade não há nada para ser comemorado. “Mesmo nesta situação não podemos perder o bom humor. Este bolo é uma forma irônica de demonstrar nossa insatisfação”, completou. De acordo com ele, os auditores esperam um diálogo desde o ano passado. Ele acredita que, com a mobilização, a sociedade e grandes empresas irão se sensibilizar e pressionar o governo.  “Em 2011 o governo nos chamou para conversar e nos enrolou. Neste, não vamos esperar até agosto.“ 

O reajuste dos servidores deve constar na Lei Orçamentária que será entregue até final de agosto ao Congresso Nacional. “A Lei Orçamentária será finalizada em 31 de agosto. Isto quer dizer que até essa data deve haver o pronunciamento de reajuste; caso contrário, só em 2014 para poder discutir novamente”. 

Desde ontem os auditores fiscais da Receita Federal trabalham em operação padrão, mais conhecida como operação tartaruga, quando as atividades são executadas de forma mais lenta. “O que leva um dia para ser feito, estará pronto daqui uma semana”, explicou Dantas. De acordo com Maurício Zamboni, diretor de comunicação do Sindifisco, as atividades podem prejudicar principalmente o setor de comércio exterior. “Cada dia que deixamos de trabalhar equivale ao prejuízo de R$ 150 milhões na zona franca de Manaus”, comentou. 

Em Sorocaba, o Porto Seco também terá suas atividades comprometidas, e consequentemente, a liberação aduaneira de mercadorias. Um exemplo disto são as indústrias da cidade. “As linhas de produção podem ficar comprometidas sim, pois hoje em dia as fábricas não possuem grandes estoques de peças”, avaliou. 

Diariamente são movimentados mais de US$ 7 milhões em mercadoria no Porto Seco. Segundo Dantas, a situação de atrasos pode ficar muito mais complicada em portos aeroportos. “Imagina este processo lentíssimo em Santos, Aeroporto de Guarulhos e Viracopos?”, questiona.

Os auditores pedem reajuste de salário calculando a reposição acumulada de inflação de 2008 (data do último reajuste) até 2012. Como na há data-base, a classe depende inteiramente do Governo. Somente na Receita Federal serão 80 funcionários trabalhando em ritmo desacelerado, o que compromete exames de pedidos de isenção de recolhimento de impostos feitos por taxistas e portadores de deficiência. 


Ministério do Trabalho não atenderá às terças e quartas 

Desde ontem os auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) estão paralisados em forma de “advertência”. A mobilização se estende até amanhã e, até uma nova orientação do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), em todas as terças e quartas-feiras não haverá atendimento ao público, segundo Célia Regina Monteiro, servidora aposentada, mas que está envolvida nas questões sindicalistas. 

Os serviços afetados são orientações de todos os tipos. “Direitos, dúvidas, denúncias, homologação e acordos estão prejudicados, porém o efetivo administrativo trabalha normalmente, pois estão aptos a realizar algumas funções”, explica a servidora. 

 

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