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<< Cidade abre espaço para discussão sobre sustentabilidade ambiental

Publicada em 16/06/2012 às 23:31
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O evento foi uma iniciativa do DIÁRIO DE SOROCABA (Foto: Jota Abreu)
Na última quarta-feira, a Câmara Municipal de Sorocaba foi palco de uma discussão importante para a cidade. Incentivada pelo DIÁRIO DE SOROCABA e convocada pelo vereador Paulo Mendes (PSDB), a audiência pública “Novos Rumos para a Sustentabilidade - Política Nacional de Resíduos Sólidos” contou com palestra do consultor ambiental e presidente do Instituto Brasileiro de Defesa da Natureza (IBDN), Rogério Iório. O evento teve a participação do diretor executivo do DIÁRIO, Maurício de Luca, do diretor de Marketing do jornal, Alberto Grosso Cassone, além de autoridades e líderes comunitários e de instituições. 

Durante a palestra, Rogério Iório apresentou os principais desafios do País para fazer valer a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) sancionada em 2010, pelo então presidente da República, Luis Ignácio Lula da Silva. Segundo ele, as medidas são importantes, pois como não há no Brasil uma cultura de tratamento e reaproveitamento dos resíduos descartados, os abusos são frequentes e as medidas punitivas podem colaborar para que a situação seja mais próxima do ideal. “O grande problema é a falta de comunicação e de engajamento. Todo mundo precisa começar a pagar multa para se adequar, infelizmente”. 

Entretanto, o presidente do IBDN ressalta a necessidade de se fazer uma revisão de diversos pontos sobre o texto da PNRS. Um dos fatores mais destacados por ele é o descarte de resíduos orgânicos em aterros municipais. “Os aterros só são financeiramente interessantes para cidades muito populosas, o que não existe em todos as regiões do Brasil, que é um País continental. Então não é possível fazer uma política nacional em uma nação com tanta diversidade demográfica e populacional. Em Estados como o Mato Grosso, por exemplo, entre uma cidade de 15 mil habitantes e outra com a mesma população, há 400 quilômetros de ‘nada’. O aterro vai ter de ficar em um dos municípios. E qual deles vai ter condições de pagar um caminhão apenas para levar o lixo até a outra cidade. Fora a briga política para decidir qual das duas cidades, neste exemplo, vai ficar com o aterro e arcar com a responsabilidade disso”, alerta.

De acordo com Iório, será necessário que a PNRS seja rediscutida nas cidades, para que elas tenham cada uma sua Política Municipal de Resíduos Sólidos, seguindo obviamente todas as diretrizes da PNRS, mas observando as características próprias de cada localidade. “As câmaras setoriais já estão discutindo as alterações para os problemas da PNRS. Neste caso do transporte e destinação dos resíduos, é preciso encontrar uma solução modular para cada município. Será necessidade e responsabilidade das cidades, mas muitas delas não têm verba para isso. Acredito que esse dinheiro deveria sair do Governo Federal, do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC)”, sugere.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL – O consultor ambiental disse que sustentabilidade é quando a sociedade consegue sobreviver mantendo condições para que as gerações futuras também consigam. Para ele, o caminho para isso está baseado na educação ambiental. “A pessoa não tem mais o que fazer com um sofá e joga no córrego. Aí entope, tem enchente, transborda o córrego, famílias ficam desabrigadas e causa transtorno para muito mais pessoas. Mas o que ela vai fazer com o sofá? Ela precisa dessa resposta”, disse.

Para ele, não adianta apenas punir se as pessoas não aderem e não conhecem o conceito de sustentabilidade. Dirigindo a palavra aos vereadores presentes, Rogério Iório fez um apelo. “Peço que nesta Casa de Leis se crie uma lei que obrigue a educação ambiental nas escolas da cidade, de preferência a partir do primeiro ano. Criança educada ambientalmente, será um adulto melhor, um gestor melhor, um engenheiro melhor. Em sua profissão, vai ter essa preocupação entre as suas prioridades”. 

Uma das bandeiras da educação ambiental é a conscientização da necessidade de reciclagem e reaproveitamento do material descartado. “O Brasil perde até R$ 8 bilhões por ano por não reciclar o que poderia ser reciclado. A consciência precisa começar nas casas. Se eu reutilizar o que tenho em casa, pode ser uma economia pequena. Mas, se somar todas as pessoas, vai ser um grande valor financeiro e também ambiental”. 

Ele explicou que, com a PNRS, os lixões vão precisar ser erradicados pelas cidades a cada quatro anos e as prefeituras terão de fazer a compostagem, além de controlar custos e medir a qualidade desse serviço. “Resíduos orgânicos precisam ser destinados a usinas que os transformem em adubo, para dar uma destinação menos nociva ao meio ambiente, além de colaborar para o aumento da vida útil dos aterros”. 


DIÁRIO vai aderir a programa de responsabilidade socioambiental

O DIÁRIO deve ser um dos primeiros jornais do Brasil a receber o selo “Empresa Parceira da Natureza” do IBDN, ao aderir a um programa de responsabilidade socioambiental e se empenhar em ações para minimizar os impactos ao meio ambiente. Rogério Iório enalteceu a iniciativa. “É muito importante o envolvimento de uma mídia nessa causa. Os veículos de comunicação precisam ir além de comunicar e passar a servir como exemplo de sustentabilidade. É isso o que o DIÁRIO está fazendo”, elogiou.

O programa tem 10 compromissos ambientais aos quais as empresas têm de aderir e passam a contribuir de forma sensível para a preservação dos recursos naturais. Para receber o selo, é precisa implantar a coleta seletiva e destinar seus resíduos a reciclagem, investir em projetos de educação ambiental visando a conscientização dos funcionários, promover a eco-eficiência utilizando papel e materiais reciclados, implementar programas de uso consciente e responsável da água, promover a eficiência energética em seus produtos e processos fabris, dar destino ambientalmente adequado aos resíduos e tratar efluentes, minimizar a utilização de ingredientes contaminantes, degradantes e perigosos em seus processos, otimizar e aprimorar o design dos produtos e embalagens, adotar critérios ambientais na seleção de seus fornecedores e contribuir para minimizar os impactos ao meio ambiente causados pela utilização de combustíveis fósseis. 

O diretor executivo do DIÁRIO, Maurício de Luca, disse durante a audiência pública que a iniciativa é natural diante da própria filosofia de trabalho do jornal. “Defendemos qualidade de vida para todos e o primeiro personagem para que isso aconteça é o ser humano. O futuro só se constrói com as nossas ações do dia-a-dia”. 

 
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