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<< Brasil assume comando da Rio+20

Publicada em 16/06/2012 às 01:43
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Fátima Lima e Maria Luiza não conseguiram se alojar (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr)
O Brasil assumiu na noite de ontem (15) o comando da Conferência das Nações Unidas sobre Sustentabilidade (Rio+20) e pretende estabelecer uma nova ordem de trabalho para as delegações dos 193 países representados nas reuniões. O objetivo é fechar o documento final até o dia 19 para evitar constrangimentos aos 115 chefes de Estado e de Governo, entre os dias 20 a 22.

A estratégia brasileira seria tentar esgotar as negociações em busca de consenso até às 23 horas de ontem. Se a tática não desse certo, como tudo estava indicando, segundo os negociadores, foi definido um plano B. A ideia é que os grupos trabalhem, a partir do fim de semana, debruçados sobre os temas-chave que não obtiverem consenso.

Inicialmente, estão programados quatro grandes grupos de trabalho: o que tratará dos meios de implementação, que são as definições de metas para curto, médio e longo prazo; o que vai discriminar as ações para a governança global; o que vai definir as metas relativas ao desenvolvimento sustentável em si, como água e energia, além das propostas relativas à economia verde.

O Brasil assumiu a Presidência da Rio+20 logo depois do encerramento oficial das reuniões dos comitês preparatórios. Comandarão as negociações os atuais embaixadores André Corrêa do Lago, chefe da delegação brasileira na conferência, e o secretário executivo da delegação brasileira, Luiz Alberto Figueiredo Machado. O comando-geral ficará a cargo do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota.

A partir do dia 20 até o dia 22, a presidente Dilma Rousseff assume o comando nas reuniões plenárias. Paralelamente, os negociadores intensificam as articulações para que o menor número possível de controvérsias seja encaminhado aos líderes políticos nas reuniões de alto nível.

Os países em desenvolvimento que integram o grupo do G77 divergem dos países desenvolvidos sobre a questão da economia verde. Para o G77, a proposta que predomina, que é a europeia, de fixar um programa mundial com normas e regras sobre a economia verde, não atende aos interesses dos países pobres.

Paralelamente, os negociadores dos países ricos se recusam a aceitar propostas que visam ao aumento de recursos financeiros destinados ao crescimento sustentável. O argumento apresentado por eles é que os impactos da crise econômica internacional os impedem de avançar sobre os temas relacionados a mais recursos. Também há restrições no que se refere à proposta de transferência de tecnologias limpas - que envolvem negociações sobre patentes.

MENOS DE 30% - Apenas 28% do texto final referente às negociações da Rio+20, obtiveram consenso. A informação é do diretor do Departamento de Desenvolvimento Sustentável, Assuntos Econômicos e Sociais da Rio+20, Nikhil Seth. Mas, segundo ele, o clima de otimismo predomina nos grupos setoriais. De acordo com o diretor, o principal inimigo das negociações é o tempo.

“Há um sentido de urgência, mas há também um certo otimismo cuidadoso, mas o tempo não está a nosso favor. Vinte e oito por cento foram concluídos. Mas isso não reflete o que ocorre nas reuniões, pois há vários pacotes que estão em negociação”, destacou.

DIFICULDADES - Vindos de todos os cantos do País, ativistas dispostos a participar da Cúpula dos Povos, evento paralelo à Rio+20 e que teve início ontem, enfrentaram problemas e contratempos ao chegar à capital fluminense. Os alojamentos coletivos, prometidos pela organização para abrigar os participantes, não estavam prontos e muitos deles sequer estavam abertos.

Foi o que aconteceu com Fátima Lima, da Rede da Educação Ambiental de Rondônia (Rearo). "A vontade que eu tenho é de chorar. Disseram que eu poderia vir e ao chegar dei com a cara na porta", desabafou.

Problema semelhante viveu a ativista Maria Luiza, do Movimento de Educação Ambiental, do Grupo Voz, de São Paulo. Ela saiu de Florianópolis (SC) e chegou ao mesmo Ciep ainda na madrugada da última quinta-feira (14). Ao encontrar o Ciep fechado, a primeira providência de Maria Luiza foi tentar encontrar um hotel na região. Entretanto, as diárias cobradas - em média R$ 70, por noite - eram acima do seu orçamento.

 
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