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<< Promotor de Justiça quer novo laudo em 60 dias Divergências entre as provas dos advogados de defesa e acusação e da polícia técnica não permitiram o pronunciamento da sentença

Publicada em 02/05/2012 às 23:13
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A sentença de Dela Dea será pronunciada assim que o juiz receber o novo laudo (Foto: Fernando Rezende)
Por cerca de uma hora, o juiz Marcos José Corrêa e o promotor de Justiça, Roberto de Campos Andrade, ouviram o depoimento de Enrico Augusto Dela Dea, 24 anos, acusado por matar o estudante André Moraes Arantes, em um acidente de trânsito que aconteceu há dois anos no Parque Campolim; porém as divergências entre os laudos apresentados pelo advogado de defesa, de acusação e o da polícia técnica, fizeram com que o promotor exigisse um novo documento que deve ser entregue em 60 dias. Esse novo laudo será elaborado pelo Instituto de Criminalística (IC) e apresentado ao juiz para que a sentença seja, então, pronunciada.

Tanto a família de Dela Dea como a de Arantes estiveram presentes no Fórum e aguardaram do lado de fora da sala o encerramento desta que foi a última audiência de instrução sobre o caso. Em 60 dias, o novo laudo deverá ser entregue; a partir daí, o juiz vai pronunciar se o jovem de 24 anos irá ou não a júri popular. Se for acusado de homicídio doloso (com intenção de matar), Dela Dea será sentenciado ao júri popular e poderá receber pena de 6 a 20 anos; já se for acusado de homicídio culposo (sem intenção de matar), o jovem será condenado para cumprir pena de 2 a 4 anos, podendo ser em regime aberto, por não ter antecedentes.   

De acordo com o advogado de acusação, Carlos Eduardo Gomes Belmello, as provas contra Dela Dea mostram que o veículo dirigido por ele, uma BMW, estava com velocidade entre 105 e 116 km/h, ao contrário dos 54 km/h apontados pelos advogados de defesa. O laudo de acusação foi confeccionado pelo advogado Ventura Raphael Martello Filho, onde consta que “é absolutamente rudimentar e inaceitável cientificamente, sendo inaceitável a velocidade de 54 km/h”.

Segundo Belmello, as testemunhas disseram que Dela Dea havia passado por “pelo menos” dois semáforos vermelhos antes de causar o acidente. “O Golf dirigido pela vítima estava com velocidade entre 23 e 25 km/h, certamente a velocidade da BMW não era de apenas 54 km/h”, ressaltou.

Entretanto, o advogado de defesa, Domingos Alfeu Colenci da Silva Neto, afirmou que o laudo apresentado pela acusação já havia sido desmentido. “A vítima estava alcoolizada”, garantiu. O acusado, porém, não quis fazer teste de bafômetro na ocasião do acidente e Neto não soube responder ao porquê. 

A defesa informou ainda que entre 2006 e 2008 ocorreram 116 acidentes com vítimas fatais na cidade, na mesma modalidade do caso do seu cliente, mas nenhum deles teve repercussão semelhante. “Estão crucificando o rapaz. É esse o poder do dinheiro da família da vítima”, disse.

Ao sair do Fórum, Dela Dea e a família não quiseram conversar com a imprensa e, segundo Silva Neto, foi por causa dos traumas que o jovem vem vivenciando. “Ele não tem sossego aqui em Sorocaba, por isso está morando e estudando em São Paulo.” E a família da vítima, na voz do advogado, espera que a Justiça seja feita. “A família não quer culpar o rapaz e sim, buscar a verdade do que realmente aconteceu no dia do acidente”, declarou Belmello.

O ACIDENTE – A tragédia ocorreu na madrugada do dia 1° de maio de 2010, no cruzamento da avenida Antônio Carlos Cômitre com a rua Pedro Molina. De acordo com o que disse a polícia na época, a colisão entre os carros foi ocasionada pelo avanço do sinal vermelho que Dela Dea fez na esquina com a rua Pedro Molina, vindo a colidir com o Golf de Arantes. A namorada da vítima estava no banco do passageiro e quebrou uma das pernas. Com a força do impacto da batida, o motor do carro de Arantes foi arremessado para fora e o veículo capotou diversas vezes na subida da avenida. O estudante morreu no local. 

  

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