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<< É dia de ser igual Incluído em 2012 no calendário da ONU, o Dia Internacional da Síndrome de Down serve para lembrar à sociedade que os “downs” são iguais a todo mundo, com os mesmos direitos e deveres

Publicada em 20/03/2012 às 20:42
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Paulo Amaral, 28 anos, é nadador campeão e faz o que mais ama (Foto: Fernando Rezende)
Basta o bebê que está para nascer ter um cromossomo a mais no par 21 para a vida dos pais passar a ser especial. O dia 21 de março deste ano também é especial; pela primeira vez, a data entra no calendário oficial da Organização das Nações Unidas para ser lembrada como o Dia Internacional da Síndrome de Down em todo o mundo. O pedido para a oficialização foi encabeçado pelo Brasil. Com a lembrança, a intenção é colocar em pauta o assunto para que se esclareçam alguns mitos sobre os downs. 

Uma das fundadoras da comunidade Felicidade Down, Célia Regina dos Santos, diz que o grande inimigo das famílias de pessoas com a síndrome é a falta de informação da sociedade. “A chave é colocar a informação na mídia. Quando as pessoas encontram um down, ficam sem saber como agir. Elas precisam saber que devem agir normalmente, da mesma forma como agiriam com qualquer outra pessoa”, enfatiza. Ela e o marido, Tomás Santos, mergulharam no mundo down quando nasceu a filha do casal, Bruna Teresa dos Santos, agora com 29 anos. 

Os dois querem ajudar outros pais de filhos com a síndrome a entenderem que os downs podem viver igual a todo mundo, e têm os mesmos direitos e deveres de qualquer cidadão. “Eles precisam estudar em escolas regulares e também devem entrar no mercado de trabalho. Os pais não podem deixar filhos downs fechados em seus quartos, sem comunicação, sem informação e sem convívio. Qualquer pessoa – e não somente quem tem síndrome de down – nestas circunstâncias vai virar um bobão mesmo”, disse Tomás. “Se o down está tendo um comportamento inconveniente, de violência ou de exposição da sexualidade, não é culpa do cromossomo a mais, mas da educação dada pelos pais. Há pedagogia específica para os downs, portanto não tem desculpa para fechar o filho em uma redoma”, acrescenta. Tomás lembra o caso de Kallil Assis Tavares, de 21 anos, que no início deste ano se tornou o primeiro down a passar no vestibular de uma universidade pública e já está cursando geografia da Universidade Federal de Goiás.

Ele disse que, de uns anos para cá, as empresas estão tendo mais coragem de contratar downs, mas o grande problema é que muitos pais têm medo de expor seus filhos, e acabam impedindo o desenvolvimento deles. “Antes, os empresários contratavam muitos cadeirantes ou deficientes auditivos e visuais, mas de um tempo para cá estão investindo também nos downs. Infelizmente, sobram vagas, porque os responsáveis não querem se comprometer com o trabalho dos filhos downs”, conta.

O próprio Tomás explica que o primeiro emprego de sua filha, onde ela permaneceu por 13 anos, exigia que ele a levasse e buscasse diariamente. Entretanto, outros pais não têm a mesma disponibilidade. “A Bruna trabalhou muitos anos em uma lanchonete e isso a ajudou a evoluir muito. Há um ano e meio ela está em uma indústria, e o desenvolvimento foi ainda maior porque agora trabalha em período integral e o trabalho é mais exigente. Está mais responsável, madura, comunicativa”, conta a mãe. 

A própria Bruna fala com orgulho de sua carreira profissional. “Sempre quis trabalhar na lanchonete. Era meu sonho. Queria ser dona da lanchonete e um dia ainda posso vir a ser.” 

De acordo com Célia, a moça conquista tudo o que quer. “Ela sempre quis conhecer a dupla Chitãozinho & Xororó. Certa vez estávamos no restaurante de amigos, ela viu uma foto dos cantores na parede e começou a beijar. O dono do local disse que conhecia os dois e ia apresentar à Bruna. Desde então, começou uma amizade com eles”, conta. Bruna se orgulha dos amigos famosos. “Em todos os meus aniversários eles me mandam presentes.” O próximo sonho dela é ir à Disney; sem os pais. “E eu sei que ela vai conseguir, porque é muito determinada”, confia Célia. 

De acordo com estimativa da comunidade Felicidade Down, 19 pessoas com a síndrome têm atividades remuneradas na cidade, entre funcionários registrados em regime CLT ou esportistas.

ATLETA CAMPEÃO – “Nenhuma prova é difícil, todas são fáceis, porque estou fazendo o que eu gosto.” Estão são palavras de Paulo Roberto Amaral, 28 anos, sobre suas conquistas de 113 medalhas na natação. Ele é down. 

Paulo começou a nadar ainda criança para estimular sua coordenação motora. Um técnico de Marília precisava de um atleta especial para uma competição em Itanhaém, em 2001, e Paulo foi indicado, pois já sabia nadar embora nunca tivesse participado de nenhuma competição. Pois, mesmo assim, o rapaz não só conseguiu índice para competir no campeonato, mas também logo em sua primeira disputa ficou em primeiro lugar. 

Embora também participe de jogos de futsal – e colecione medalhas neste esporte – Paulo gosta mesmo é das piscinas, onde nada em quatro estilos, mas é especialista (e campeão) na modalidade peito. “Natação é minha vida. Meu objetivo é participar das paraolimpíadas e trazer medalhas igual ao César Cielo”, declara. Ele foi convocado para o campeonato mundial da categoria, mas a equipe brasileira acabou não viajando para Portugal, onde seria a disputa. 

Paulo recebe o Bolsa Atleta do Governo Federal, e para isso, precisa conquistar índice no Campeonato Brasileiro de Natação, que ocorreu em dezembro. Ele compete sempre pela cidade de Marília e, quando tem competição, precisa passar dias treinando na outra cidade. 

Outro atleta down da cidade é o praticante de atletismo André Bortoletto Toledo, que ganhou cinco medalhas em sua primeira competição. “Sorocaba não se interessa em dar apoio para os atletas especiais”, lamenta a mãe de Paulo, Heloísa Aparecida Campos do Amaral. 

  

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