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<< Colégio Aliança encerra atividades por falta de recursos

Publicada em 21/12/2011 às 20:50
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O presidente da entidade, João Carlos, e o diretor administrativo, Heitor Beranger (Foto: Fernando Rezende)
A direção da Associação Crianças de Belém (ACB) anunciou, na terça-feira, o fechamento do Colégio Aliança, que oferecia educação infantil e Ensino Fundamental para crianças soropositivos ou filhas de portadores do HIV. Conforme o presidente da entidade, pastor João Carlos de Oliveira Batista, o fechamento da escola é consequência da falta de recursos para subsidiar as despesas. 

Segundo ele, toda a verba federal, estadual e municipal que a entidade recebe é utilizada exclusivamente na concretização dos projetos, enquanto a escola era sustentada pela própria direção da ACB. A decisão foi tomada durante assembléia e anunciada aos pais, que continuarão sendo assistidos pela associação por meio de outras atividades. 

Por conta do anúncio, algumas mães procuraram a redação do DIÁRIO para descrever a preocupação com o futuro dos filhos, já que terão agora de correr atrás de vagas em escolas públicas no município. Porém, conforme o próprio pastor prometeu, elas receberão apoio e suporte para encontrar vagas em unidades de ensino público próximas de suas residências. “Daremos todo o apoio para que as mães encontrem vagas para fazer a transferência dos seus filhos.”

O Colégio Aliança foi fundado em 2004 com recursos advindos de doações de contribuintes, através do telemarketing e também de parceiros internacionais. Neste ano chegou a atender a 43 crianças, da 1ª a 5ª série. Entretanto, o pastor contou que as verbas foram ficando insuficientes e as despesas com transporte escolar, estrutura da escola, alimentação e outros, esgotaram as possibilidades da diretoria que mantinha a escola. “O transporte gratuito dessas crianças, por exemplo, chegava a R$ 8 mil ao mês. A diretoria arcava com gastos desde o combustível e a manutenção do veículo, até os impostos que tínhamos de pagar.”

Conforme Batista, a decisão foi anunciada aos pais para evitar que em janeiro próximo as dívidas da escola prejudicassem os projetos da associação. “É melhor anunciar o fechamento da escola hoje do que amanhã anunciar que os professores não estão recebendo por falta de recursos próprios da escola.” De acordo com o presidente da entidade, foram dispensados quatro professores e um inspetor. “O maior gasto da escola era com os professores, devido à qualidade do ensino. Nós lutamos até o fim contra esse fechamento, mas queremos evitar dívidas, e os professores entenderam isso.”

ASSISTÊNCIA CONTINUA – De acordo com Heitor Beranger, diretor administrativo da ACB, a escola está sendo fechada, mas toda a assistência que a entidade presta às 48 famílias deverá permanecer. “Essas famílias continuarão recebendo gratuitamente atendimento psicológico, assistência social, atividades culturais e esportivas; além das cestas básicas que já recebem.”

Beranger explicou que mesmo com a verba repassada pelos órgãos públicos, a associação precisa complementar os valores a fim de concretizar os projetos. E como os gastos com a escola estavam aumentando e as doações diminuindo, a direção optou por encerrar as atividades de ensino para manter a qualidade dos projetos. “Esses projetos serão mantidos e ampliados”, garantiu. Conforme ele, todos os projetos são aprovados pela Câmara Municipal e regrados pelo Tribunal de Contas do Estado.

O diretor administrativo reconheceu a preocupação dos pais com o futuro escolar dos filhos, mas alertou que o município tem capacidade e dever de oferecer vagas para essas crianças. “Eu ouvi no rádio que a Prefeitura vai disponibilizar mais de oito mil vagas no ensino da cidade. Essa é uma promessa que pode sim, ser cumprida.” 

Quanto à questão de preconceito com as crianças assistidas pela entidade, o diretor administrativo foi taxativo ao dizer que o município não pode negar o ensino a essas crianças e cabe a cada cidadão demonstrar respeito a qualquer pessoa portadora da doença. 

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