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<< Famílias temem despejo e pedem ajuda para encontrar novas moradias

Publicada em 02/12/2011 às 21:04
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Silva aponta para a avenida Edward Frufru que, futuramente, passará pela área que hoje é sua casa (Foto: Fernando Rezende)
Por causa das obras do programa “Sorocaba Total”, duas famílias que residem em uma chácara, no número 3.620 da rua Atanázio Soares, em frente da avenida Edward Frufru Marciano da Silva, terão de se mudar até amanhã. A compra da área foi feita pela Prefeitura em setembro último, mas as famílias ficaram sabendo há poucas semanas, e estão pedindo ajuda para encontrar um novo lugar para morar. Há sete anos elas estavam no local como caseiras, mas não foram avisadas pelos proprietários sobre a venda e agora estão preocupadas com o despejo.

Um dos moradores, o pedreiro Cleraldo Silva de Jesus, contou que a propriedade pertence a uma família que reside em condomínio localizado nos altos da avenida São Paulo. As duas famílias receberam autorização dos proprietários para morar no local através do corretor de imóveis, com a condição de cuidar do espaço e pagar as contas de água e energia elétrica. “Era para gente zelar desse terreno, pagar as contas e só, mas depois que soubemos desse descaso deixamos de fazer as coisas; só pagamos as contas de água e energia para não cortarem.”

Silva disse que, em setembro, o corretor de imóveis da família proprietária do terreno pediu todas as contas pagas, principalmente os carnês de IPTU. “Ele disse que precisava apresentar na Prefeitura, mas não explicou o porquê.” Semanas depois técnicos da Prefeitura estavam medindo o terreno, só então as duas famílias tiveram conhecimento do que estava acontecendo. “Eles (técnicos) disseram que a gente teria que sair porque o terreno tinha sido comprado pela Prefeitura para poder continuar as obras do Sorocaba Total.” 

Dias depois, as famílias receberam outra visita, a do oficial de Justiça, informando sobre o despejo. “Ele nos deu até este final de semana para mudar se não vão nos tirar à força”, contou Silva. “Estamos preocupados porque não temos para onde ir.” A casa cedida para moradia das famílias possui seis cômodos. Em três deles, Silva mora com a esposa e uma filha de 5 anos. Nos outros três, o pedreiro Gilvanildo Mendes Sampaio vive com a esposa e um filho de oito anos. “Temos família para cuidar. Nossas crianças não podem ficar sem uma moradia”, clamou Silva.

Conforme o pedreiro, as duas famílias já saíram à procura de uma nova casa, mas os valores de aluguel variam entre R$ 600 e R$ 700, fora custos com água e energia elétrica, além da burocracia que as impede de fechar qualquer negócio. “Para alugar casa pela imobiliária tem que dar no mínimo dois aluguéis adiantados e tem que ter fiador. Quando é direto com o proprietário, eles não querem porque não conhecem, não confiam”, explicou. “Assim fica difícil, pois viemos da Bahia e não temos conhecidos por aqui para ser nosso fiador. Se tivesse para onde ir, já tínhamos ido.” Silva disse que já tentou conversar com o corretor de imóveis, que possui escritório próximo da rodoviária, mas não foi atendido. 

O pai de família trabalha como pedreiro desde que chegou à cidade, e através deste serviço consegue uma renda mensal de R$ 850. Com a ajuda da esposa, que trabalha como doméstica, a renda chega a mil reais. “Minha esposa faz uns bicos de vez em quando, mas não é nada fixo. Por isso não tenho como pagar um aluguel muito alto. Se pelo menos a gente conseguisse uma casa popular, eu poderia dar conta da dívida”, sugeriu.

Desesperado, o pedreiro chegou a procurar diversas autoridades na cidade, entre elas o vereador Izídio de Brito (PT). A assessoria de imprensa do vereador informou que está por dentro da situação das duas famílias, mas admite que não há o que ser feito. “Eles não se enquadram no Aluguel Social por não morarem em área de risco e a Prefeitura seguiu corretamente todos os trâmites da compra do terreno.” Os representantes do político disseram ainda que foram feitos contatos com a Assistência Social da Prefeitura e também com a Secretaria da Cidadania. “Fizemos tudo dentro do nosso limite, mas não tivemos sucesso.”

A esperança das famílias agora é conseguir uma forma prática e rápida de conseguir uma moradia popular, com aluguel acessível, conforme pediu o pedreiro. “A qualquer momento podem vir nos despejar e meu medo é não ter para onde ir”, desabafou Silva.

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