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<< SWU: Festival tem muita lama e Rock'n Roll

Publicada em 19/11/2011 às 18:46
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Faith no More, comandando pelo insano Mike Patton, encerrou o SWU na melhor apresentação do festival (Foto: Divulgação/SWU)
O SWU dessa vez teve de tudo que um festival de rock pede. Atrações musicais de peso, briga no palco, muita chuva, lama, ótimos shows, outros nem tanto e um público cada vez mais sedento de eventos musicais. O festival SWU Music & Arts aconteceu em Paulínia, com um line-up confuso misturando em três dias (12, 13 e 14 de novembro) monstros dos anos 80 e 90 como Alice in Chains, Stone Temple Pilots, Megadeth, Duran Duran, Hole e os headliners Black Eyed Peas, Lynyrn Skynyrd e Faith No More.

A área onde aconteceu o festival, o Parque Brasil 500, é um descampado enorme quase sem nenhuma sombra. Quem queria se abrigar do sol forte contava com uma grande arquibancada, de onde podia se ver os shows dos dois palcos principais, Consciência e Energia.

HIP-HOP, RAP E ATÉ PAGODE (!?) – No primeiro dia, as atrações de peso ficaram por conta de artista ligados ao reggae, hip-hop e rap. Marcelo D2 apresentou sua conhecida mistura de samba e hip-hop em “festa rap”, cantando inclusive sucessos da época do Planet Hemp – “Mantenha o Respeito”, “Dig Dig Dig (Hempa)", "Queimando Tudo" e "Stab".

Snoop Dogg levantou o público e botou todo mundo para cima com uma seleção de músicas de forte apelo sexual. Estava na cara que ia rolar cafajestagem matreira em sua apresentação. Muitas mulheres no público dançando e cantando “Who Am I (What's My Name)”. O artista terminou seu show com “Minha Fantasia”, dos pagodeiros do “Só Pra Contrariar”. Ninguém entendeu nada. Snoop tirou onda com umas sambadinhas com seu jeitão despojado.

Em seguida, a apresentação megalomaníaca de Kanye West não agradou a galera, que estava sedenta pelo Black Eyed Peas. Fergie, Will.I.Am e cia. entraram logo depois e fizeram um show bastante longo e dançante com seus hits, e teve como destaque a repetição por parte dos membros da expressão “Black Eyed Peas forever” (“Black Eyed Peas para sempre”). O show encerrou a primeira noite do SWU, que contou com 64 mil pessoas.

BRIGAS, ATRASO, CHUVA E CLÁSSICOS DOS ANOS 70 E 80 - O domingo, 13, segundo dia de festival, foi marcado pelo início das chuvas e lama, brigas e cancelamentos de apresentações. Cerca de 45 mil pessoas estiveram nesse dia de SWU. O adiamento do show do Ultraje a Rigor, por conta da chuva que começou no dia, resultou em troca de socos entre roadies da banda com os de Peter Gabriel, que queriam reduzir o tempo do Ultraje no palco para não atrasar a entrada do britânico.

O desempenho do Ultraje teve boa resposta do público, que pulou muito ao som dos vários sucessos manjados do grupo. Mas ao tentar encerrar com “Marilou”, os equipamentos do Ultraje foram desligados. Roger Moreira aproveitou para falar mal dos artistas ‘gringos que pensam que mandam no Brasil’. Depois, Peter Gabriel pediu desculpas.

A confusão ainda envolveu Chris Cornell, atração que viria logo mais à noite. Tudo porque Roger apelidou um de seus roadies com o nome do cantor por causa da semelhança física entre os dois. Roger agradeceu o roadie no palco, levando o público a crer, erroneamente, que ele estava tendo problemas com a equipe de Cornell.

Por falar no vocalista do Soundgarden, depois de toda a briga, ele subiu ao palco para mostrar versões acústicas de músicas de sua carreira solo, do Audioslave, Temple of the Dog e Soundgarden. Não agradou. Estava meio desafinado e o público não estava ali para acústicos no meio da chuva.

A sempre imprevisível Courtney Love, líder do Hole, que fechou o palco New Stage no segundo dia, comandou um show que marca mais pela lenda dela que pela qualidade do show em si. ‘Pagou peitinho’ como sempre, fez piadas, brigou com uma pessoa da plateia, usou um batom que pediu emprestado ao público, pediu para que eles dissessem que os caras do Foo Fighters fossem gays. E cantou mal as músicas. Quem foi ouvir ‘Malibu’ não escutou nada.

Dono de vasto repertório de sucesso de babas das FMs nos anos 80, o Duran Duran foi muito bem recebido pelo público no palco Energia, especialmente com a execução das faixas “All You Need Is Now”, “Notorius”, “Ordinary World”, “Hungry Like the Wolf” e “Rio”. Mais tarde, Peter Gabriel fez uma performance marcada por ativismo e discursos em português, acompanhando da The New Blood Orchestra, com versões, claro, orquestradas de suas músicas.

O ex-Genesis teve plateia cheia, mas colocar ele antes do Lynyrd Skynyrd, banda clássica de southern rock americana dos anos 70, realmente não dá para entender. O Skynyrd foi escolhido como headliner do segundo dia. A banda conta apenas com um integrante original, e investiu nos clássicos “Sweet Home Alabama” e “Free Bird”, música de 12 minutos de duração, para alegria dos fãs de camisetas, chapéus e bandanas.

O ROCK DOS ANOS 90 PARA FECHAR COM TUDO - O terceiro dia de SWU, com 70 mil pessoas, ainda mais chuvoso que o domingo, foi encerrado por uma apresentação insana do Faith no More. 

Os caras do trash metal do Megadeth, liderados por Dave Mustaine, tocaram sucessos como "Trust", "Wake up Dead", "Hangar 18", "A Tour Le Monde" e, obviamente, "Symphony of Destruction". Encerraram sua boa apresentação de uma hora com "Holy Wars... The Punishment Due".

Aí então começou a trinca dos anos 90 – Stone Temple Pilots, Alice in Chains e Faith No More. O Stone ocupou o palco com uma performance mais cadenciada de suas músicas, o que em nada atrapalhou o desempenho. A abertura com que Scott Weiland começou foi com duas faixas do disco de estreia da banda, Core: “Crackerman” e “Wicked Garden”. Ainda vieram “Plush” e “Sex Type Thing”, sendo que “Dead & Bloated” estava prevista no repertório (mas acabou cortada). Destaque para “Plush”, com o vocalista de terno fazendo caras e bocas e deixando o público cantar parte da musica.

No show do Alice in Chains, William DuVall, o vocalista de timbre semelhante ao do falecido Layne Staley, provou dar conta da responsabilidade de cantar clássicos da banda. Lais Lima, 23 anos, trabalha de assistente de publicidade, moradora de Sorocaba, é fã da banda e conseguiu realizar seu sonho. Viu eles de perto e ainda conseguiu pegar uma das palhetas que o guitarrista Jerry Cantrel jogou para a plateia. “Fiquei na primeira fileira na frente do palco. E ao término do show, Jerry olhou diretamente para mim, pois eu gritava muito o nome dele. Foi quando ele jogou várias palhetas para o público e eu não consegui pegar, mas depois ele beijou outras palhetas e jogou bem na minha direção e eu peguei e me emocionei demais.

Mike Patton fez um show insano, como sempre fez na sua carreira de vocalista do Faith No More, uma das bandas mais clássicas de rock dos anos 90. Ele falou em português vários palavrões , operou uma câmera de TV, pediu e tomou banho de cerveja e regeu um coral infantil, num palco com mesa branca e flores. Além, claro, de cantar. E muito. Não parece ter passado tanto tempo assim do álbum ‘The Real Thing’ (1989). O músico só se dirigiu aos brasileiros em português e corrigiu o baixista Billy Gould quando este se referiu a São Paulo como a cidade do evento. “Não é São Paulo, é Paulínia!”, disse Patton.

A loucura tomou conta do público com “From Out of Nowhere”, “Last Cup of Sorrow” e a plateia pulou muito com os sucessos “Midlife Crisis”, “Ashes to Ashes”, “Easy” e “Epic”. Em certo momento, o cantor desceu do palco, arrancou um dos operadores de câmera de TV e tentou dar uma de cinegrafista. Depois foi para o corredor de segurança entre a plateia, onde cumprimentou várias fãs e pediu para ser banhando em cerveja.

A apresentação teve duas participações especias: do poeta e educador pernambucano Cacau Gomes (em “King For a Day... Fool For a Lifetime”) e do Coral de Heliópolis (em “Just a Man”). A última música que o Faith No More tocou no SWU 2011 foi “This Guy’s in Love With You” (outra cover tradicional da banda, escrita por Burt Bacharach).

Em menos de dez 
meses tem mais SWU

Feito e vendido como uma reunião para discussões sobre sustentabilidade, o SWU ainda não é assim, principalmente para o público, que está mais interessado em ouvir suas bandas preferidas e beber a procurar um lixo e jogar os copos plásticos de cerveja. A atitude dos frequentadores está longe da proposta colocada.

Sendo fiéis às tradições de festivais de rock, os dias de SWU foram de muita chuva e lama, e foi celebrado com muito rock e cerveja por corpos suados e enlameados, que curtiram 73 shows nacionais e internacionais em um espaço que realmente comportou o evento. Segundo os organizadores, o público total foi de 179 mil pessoas. O festival terminou com a promessa de uma nova edição em 2012, possivelmente em setembro ou outubro, para fugir das chuvas. 

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