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<< Médicos que tratam pacientes de forma humanitária podem ajudar tratamento

Publicada em 17/10/2011 às 23:22
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O médico Rodolfo Pinto Machado de Araújo encara seu ofício como missão e paixão (Foto: Fernando Rezende)
Neste 18 de outubro, comemora-se em diversos países o dia do Médico em virtude de a data ser lembrada como o dia de São Lucas, Evangelista e Santo Patrono da profissão, que teria estudado o ofício em Antioquia. 

Já o doutor Rodolfo Pinto Machado de Araújo estudou o ofício em Sorocaba, onde se formou há 39 anos, fez residência e hoje exerce atividade de clínica médica e oncologia clínica, além de presidir a Unimed, tudo isso com o sentimento de estar cumprindo uma missão e alimentado uma paixão. Seu pai tinha três irmãos médicos e era o único a não seguir a profissão, pois era juiz e posteriormente foi desembargador, e também foi o único a ter um filho médico, curiosamente. “Mas foi uma opção minha, não teve nenhuma pressão familiar para que algum filho escolhesse algo que não fosse do seu interesse”, contou. 

Ele ressalta que os médicos, como todos os outros profissionais, têm a obrigação de se informar sobre novidades para se manter atualizados. Entretanto, não podem deixar de lado os valores humanos.  “Jamais pode se preterir a relação médico-paciente. Por mais conhecimento científico que se adquira, o profissional não pode abandonar os valores humanos”, alerta. Segundo dr. Rodolfo, a virtude de preservar o respeito ao paciente pode colaborar, inclusive, no próprio tratamento. “Quando o médico vê um paciente em situação incurável ou estado terminal e sabe valorizar o lado humano, pode levar conforto e alívio que nem os remédios podem proporcionar.” Para ele, é primordial que o médico preze pela atualização científica, mas que levar em conta o respeito ao indivíduo doente deve ser uma conduta permanente. “Independente das diferentes enfermidades, as pessoas têm de ser tratadas sob a mesma condição e o mesmo respeito”, advertiu.

O médico, inclusive, admitiu que, embora lide frequentemente com diversos problemas de saúde, durante sua carreira houve alguns casos nos quais não foi possível evitar o envolvimento quando, mesmo já em casa, não conseguia desligar o pensamento do problema pelo qual passava seu paciente. “Isso acontece especialmente com os mais jovens e, ainda mais, com crianças. Não que os idosos não mereçam atenção, pelo contrário. Mas os casos envolvendo pessoas de menos idade marcam.” Há ocasiões realmente muito singulares. “A minha filha mais velha tem o mesmo nome de uma menina que atendi e que tinha leucemia. Minha esposa e eu decidimos juntos por isso. Hoje esta paciente está viva, curada, casada e também é mãe”, lembra.

O profissional destaca a importância dos progressos da medicina, porém sem renegar o valor do respeito ao paciente. “Quando a situação está evoluindo mal, é importante para que as pessoas tenham dignidade durante o curso da doença até o final da vida.” 

FORMAÇÃO – O médico Rodolfo, que até 2006 lecionava no curso de medicina da Pontifícia Universidade Católica (PUC), ressalta que o grande problema da profissão atualmente é uma política de Estado, que transcende a de governo, de oferecer cada vez mais vagas em cursos superiores de medicina, aumentando a oferta de forma significativa em relação à procura, o que torna a mão de obra cada vez mais barata e precária. “A tendência é de proletarização da profissão. O Brasil está formando mais médicos que a Índia e a China, que são países mais populosos. Nos próximos dois a três anos, devem se formar cerca de 18 mil médicos, dos quais apenas um terço fará residência, ou seja, terá alguma especialização. E o destino dos profissionais sem especialidade são exatamente os locais mais delicados: prontos-socorros”, lamenta. Para ele, é preciso rever a política de formação dos médicos.

PRESIDÊNCIA DA UNIMED – Na presidência da Unimed, dr. Rodolfo continua prezando pela qualidade de atendimento. Apenas uma vez por ano são admitidos novos cooperados, que precisam ter o título de especialista para ser aceitos. “Mais de 95% dos médicos da Unimed têm especialização”, conta. 

Mesmo que esteja trabalhando em uma atividade mais administrativa e de gestão, ele não deixa de lado a preocupação com o paciente. “Do resultado da gestão sai o padrão de qualidade da gestora de saúde, que é o paciente.” Todavia, o médico Rodolfo se esforça para atender, pelo menos três vezes por semana, em seu consultório. “Não pode dissociar nunca o trabalho de consultório, pois corre o risco de ficar isolado da realidade da medicina”, explica. 

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