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<< Andarilhos: um problema crônico da região central da cidade Preocupados, pedestres evitam passar em certos locais, mas os mendigos não se intimidam: estão até em áreas de grande movimento, como os terminais. O comércio está levando a pior

Publicada em 17/08/2011 às 19:47
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Andarilhos estão tomando a região central de Sorocaba; problema se agravou nos últimos meses; região mais crítica é a da Rodoviária (Foto: Fernando Rezende)
Um problema das grandes cidades está se agravando nos últimos tempos em Sorocaba: a existência de andarilhos. Eles estão por toda a parte na região central, até nos terminais de ônibus, preocupando os pedestres e, especialmente, quem tem comércio nas regiões mais críticas, como na Rua Santa Clara. Na região da Rodoviária, duas praças receberam o apelido de "Cracolândia Sorocabana". 

Na Praça Santa Cruz e em um largo sem nome na confluência da rua Dr. Nogueira Martins e a Capitão Manoel Januário, Vila Amélia, desocupados consomem bebida alcoólica à luz do dia. "É todo dia, toda hora, já estou até me acostumando", lamenta a proprietária de uma loja de produtos de informática defronte à praça, que conta ter sido assaltada várias vezes. Segundo ela, o problema está piorando nos últimos tempos. Outro que sofre com o problema é o dono de um sebo na mesma rua, há 11 anos instalado ali. "A praça virou antro de marginais", descreve.

Ele lembra da ação dos "flanelinhas", mendigos que intimidam os donos de automóveis quando estacionam na rua. "Acham que é obrigação pagar para olhar carro, e com o dinheiro vão tomar pinga. São pessoas que não têm nenhuma deficiência, porque não vão fazer algo útil na vida?", questiona, irritado com o problema que se agravou mais nos últimos seis meses. "A polícia e a Guarda Municipal os espantam. Não posso negar que a polícia vem, mas dá 'geral' e depois libera. Aí eles voltam", diz. O comércio está assustado: poucos estabelecimentos estão abrindo as portas aos sábados. "Se o cliente está na loja e é abordado por alguém pedindo dinheiro, não volta. Você mal para o carro e já vem gente em cima. Sorocaba está virando a cidade do flanelinha."

Quem vê os mendigos no acesso ao Terminal Santo Antônio ou nos fundos da Fábrica Nossa Senhora da Ponte, a Cianê, onde uma caldeira desativada foi transformada em moradia para os andarilhos, que fecharam com papelão a estrutura de cimento de sustentação do equipamento, não acredita que eles possam estar também dentro dos próprios terminais. Mas estão. "Eles ficam em cima de quem está comendo. A gente dá bronca, chama a Guarda Municipal, e eles voltam. Eu desisto", diz a dona de uma pastelaria no Terminal São Paulo. A exemplo dos comerciantes do Centro, ela também já perdeu vendas. "Eles pedem dinheiro pra comer, mas pra comprar cigarro eles têm."

A questão é ainda mais delicada nos terminais porque a Guarda Civil Municipal não pode, legalmente, retirar essas pessoas de dentro do espaço, como explica o GCM Souza. "Eu não posso ir contra o direito de ir e vir. O comerciante viria a meu favor e dez iriam contra", justifica. Ele diz que, quando acionados, os GCMs orientam e abordam os mendigos tentando manter a ordem. "E se o dono do quiosque dá um café ou alguma coisa para eles, eles voltam", lembra, comentando a afirmação da comerciante em ceder aos apelos das crianças de rua que ali aparecem.

A Secretaria da Cidadania informou desenvolver um trabalho de Ronda Social, onde os agentes e assistentes sociais abordam os moradores de rua oferecendo-lhes ajuda e assistência por meio de uma rede conveniada. Segundo a secretaria, esse trabalho tem sido feito por uma equipe diariamente em toda a cidade, inclusive no Centro. "Convém esclarecer que as pessoas não podem ser retiradas das ruas à força, pois isso é ilegal. Somente na eventualidade de essas pessoas estarem cometendo alguma infração penal ou estarem condenadas, é que, por lei, poderão sofrer sanção, mas por parte da autoridade policial", esclarece. 

As pessoas podem acionar a Ronda Social pelo fone (15) 9789-6830. Uma equipe irá ao local para conversar com as que estão nas ruas ou, se for o caso, encaminhar para as autoridades competentes, conforme prevê a lei.
 
 
 
 
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