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<< Governador demite comando dos Bombeiros após invasão no RJ

Publicada em 04/06/2011 às 21:09
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O Governador Sérgio Cabral e secretários em coletiva de imprensa no Palácio Guanabara (Foto: Marino Azevedo / Governo RJ)
O Quartel General do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, na Praça da República, foi invadido na noite de sexta-feira (3) por mais de mil bombeiros militares e guarda-vidas. Eles arrebentaram o portão da guarda e ocuparam o pátio central. Os manifestantes reivindicaram aumento salarial de R$ 950 para R$ 2 mil, vale-transporte e melhores condições de trabalho.

Por causa da invasão, o tráfego ficou tumultuado na Praça da República com reflexos na Praça Tiradentes e ruas próximas, pois os manifestantes, com faixas e cartazes, bloquearam as entradas do quartel colocando caminhões de salvamento da corporação e mangueiras contra incêndio, isolando a área ocupada.

Depois da prisão de cerca de 600 militares do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro que participaram da invasão, os bombeiros em serviço iniciaram na manhã de sábado (4) uma operação-padrão. Eles anunciaram que só sairiam dos quartéis para atender chamados de extrema urgência, como acidentes graves de trânsito ou incêndios de grandes proporções. Nas praias, no entanto, havia bombeiros nos postos salva-vidas. Nos aeroportos os postos também não foram abandonados.

Ao chegarem à Corregedoria Interna da Polícia Militar, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, os bombeiros presos foram levados para um campo de futebol, onde todos colocaram as mãos na cabeça e, num gesto de protesto, formaram a palavra SOS no campo, estendendo uma bandeira do Brasil dentro da letra O. Depois, eles fizeram uma reunião e decidiram voltar para dentro dos 14 ônibus que os levaram para o local.

REUNIÃO - A reunião do governador Sérgio Cabral com o comando dos bombeiros, o vice-governador Luiz Fernando Pezão e o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, iniciada por volta das 8 horas, durou mais de quatro horas. Após isso, o governador anunciou a exoneração do comandante do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, Pedro Marco Cruz Machado. O cargo será ocupado pelo coronel Sérgio Simões, atual secretário de Defesa Civil do município do Rio. Cabral também anunciou que 439 bombeiros foram presos e que todos eles vão responder administrativamente e criminalmente pela atitude, mas que a abertura do processo caberá ao Ministério Público.

Ao iniciar o pronunciamento, Cabral chamou os invasores de “vândalos”. Ele admitiu que os bombeiros recebem baixos salários, mas disse que o fato não justifica a atitude de invadir e depredar um prédio público. O governador disse que já investiu mais de R$ 120 milhões para modernizar o Corpo de Bombeiros e que o plano de recuperação salarial para os bombeiros já está sendo aplicado. Para o governador, a invasão ao quartel geral dos bombeiros foi incitada por grupos políticos contrários a seu governo.

O processo disciplinar que será aberto por determinação do governador contra os 440 bombeiros (soldados rasos, cabos e sargentos) “é que vai dizer se eles serão expulsos”, disse o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame.

EXAGERO - O presidente da Associação de Cabos e Soldados do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, Nilo Guerreiro, condenou a forma como a tropa de choque e o Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM invadiram o quartel central do Corpo de Bombeiros para dispersar a manifestação.

Segundo Guerreiro, a entrada do Bope no quartel foi muito violenta. “Esse é um sinal de que a segurança pública não está totalmente qualificada, Temos que estudar muito o assunto no Rio e no resto do país, porque foi uma demonstração de que não estamos realmente preparados para gerenciamento de crise.”

O presidente da entidade disse ainda que as associações de todo o país vão participar de uma reunião no Rio, na próxima segunda-feira (6), às 11 horas, para tomar uma posição conjunta de repúdio à iniciativa do governo estadual de invadir o quartel com uso da força. “Tínhamos uma porta de diálogo aberta. Existe uma ala mais radical do Corpo de Bombeiros, que é o pessoal do Grupamento Marítimo, que realmente deveria ter um pouco mais de habilidade, mas que fez um trabalho praticamente isolado. Agora, as associações de classe deverão assumir definitivamente as negociações com o governo”. 

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