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Diário de Sorocaba

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<< Protesto reclama por saúde e educação em Salto de Pirapora Lei que regulamenta utilização de ônibus escolar intermunicipal e fechamento de serviços na Santa Casa da cidade levam a população à frente da Prefeitura para cobrar melhorias

Publicada em 25/02/2011 às 22:18
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Com cartazes, apitos e nariz de palhaço, os moradores cobraram a presença do prefeito (Foto: Jota Abreu)
Com nariz de palhaço e apitos, vários munícipes, entre eles, cerca de 80 estudantes, participaram de protesto em frente à Prefeitura de Salto de Pirapora na tarde desta sexta-feira (25). Entre as reivindicações, os manifestantes queixavam-se ao prefeito Joel David Haddad (PDT) da nova regra para utilização de transporte gratuito de estudantes de cursos técnicos e superiores em Sorocaba e da situação da Santa Casa da cidade, que recentemente fechou a Maternidade, o Centro Cirúrgico e os setores de Pediatria e Ortopedia.

Com cartazes onde se liam “Fora Joel”, “Educação é direito de todos”, “Sem saúde, transporte e educação, só falta ter festa do peão”, “Saúde é obrigação pública”, os manifestantes, liderados pelos vereadores Magali Canalle (PT) e Dito Carijó (PMDB), queriam conversar com o prefeito, mas foram informados pela sua secretária de que ele estaria em São Paulo “resolvendo problemas da cidade”. 

Em nota oficial publicada posteriormente, a Prefeitura disse que Haddad deu expediente normalmente até às 11h30 e na parte da tarde tratou de assuntos particulares. A nota diz ainda que os secretários de Saúde e de Educação estavam trabalhando na cidade em unidades públicas de suas pastas, e que ninguém foi atendido por alguém da administração municipal porque a Prefeitura não tinha conhecimento da manifestação e que, por essa razão, os responsáveis não tinham agenda preparada. O vice-prefeito, que também foi procurado pelos manifestantes, não teve sua localização divulgada. 

TRANSPORTE DE ESTUDANTES - O transporte escolar intermunicipal foi regulamentado por iniciativa da administração municipal, em projeto de lei que foi aprovado por sete dos nove vereadores – Magali Canalle e Dito Carijó votaram contra – em maio de 2010. Com cinco ônibus e um micro-ônibus, o poder público alega não ter como atender à demanda de estudantes que solicitaram o benefício no ano passado. Sobre a possibilidade de voltar atrás e encaminhar outro projeto à Câmara, a Prefeitura disse que só terá um posicionamento oficial sobre o assunto após o período de cadastramento de estudantes para o transporte, que se encerra na próxima segunda-feira (28). 

Estudante do segundo semestre de um curso técnico de Administração em Sorocaba, Rafaela Madornado, 18 anos, usou o transporte durante a segunda metade do ano passado. Ela voltou de férias em 31 de janeiro e tem desembolsado cerca de R$ 6 diários para frequentar as aulas. “Tenho amigos que faltaram duas semanas por não ter condição de pagar transporte público. Além disso, os ônibus vão lotados e eu mesma já vi pessoas desmaiando de calor dentro da condução”, destaca. Ela não poderá utilizar o ônibus cedido pela Prefeitura, pois a renda de sua família ultrapassa três salários mínimos. “Se um pai ganhar R$ 1.700, mas tiver sete filhos, nenhum deles poderá usar o transporte. É um absurdo. Estudante não é despesa, é investimento”, esbraveja. 

A vereadora e vice-presidente da Câmara Municipal de Salto de Pirapora, Keli Ortiz (PDT), explica que, na época da votação da lei, julgou que a limitação de três salários mínimos era justa e por essa razão votou a favor, mas que hoje acha o valor muito restrito. Ela e o vereador Izarildo Farrapo (PDT) fizeram emendas ao texto original. “Se não fossem nossos destaques, a lei teria disciplinado a utilização dos ônibus já em agosto de 2010 e seria apenas para quem tivesse bolsas de estudo”, revela. Ela disse que pretende sugerir na próxima sessão que os parlamentares da cidade agendem uma reunião com o prefeito para rediscutir o assunto e encontrar uma solução. 

Já a vereadora Magali Canalle (PT) considera que a cidade está sendo mal administrada. “Falta planejamento. São R$ 70 milhões no orçamento municipal, portanto tem dinheiro. Se fizesse parcerias com empresas, abatendo impostos ou algo parecido, não teria as despesas de manutenção com os ônibus da Prefeitura. Além do que, daria para oferecer ainda mais lugares para os estudantes”, garante. Ela afirmou que vai consultar o departamento jurídico da Câmara para saber se é possível sugerir a revogação da lei. “Eu mesma me beneficiei deste transporte quando estudava. A própria filha do prefeito utilizou o ônibus para fazer faculdade. Seria imoral se eu votasse a favor dessa lei”, ressaltou. 

SAÚDE - Outro motivo de revolta da população é a situação da Santa Casa de Salto de Pirapora. No início de dezembro, foi anunciado o fechamento da Maternidade e do Centro Cirúrgico; recentemente também pararam as atividades da Pediatria e da Ortopedia. 

Magali Canalle lembra que, no dia 10 de novembro, a Câmara aprovou repasse de R$ 110 mil e em 19 de novembro, outro R$ 1,9 milhão também foi para a Santa Casa. “Estranhei que, pouco mais de dez dias depois das verbas, a Maternidade foi fechada. Na próxima terça-feira vou ter uma reunião com o diretor do hospital para entender o que está acontecendo”, contou. Atualmente, as grávidas de Salto de Pirapora precisam dar à luz em outros municípios, como Votorantim, Sorocaba e Itu. Nem os acompanhamentos pré-natais são realizados na cidade.
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