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<< Mutirão Pulmonar zera fila de espera pelo “exame do sopro”

Publicada em 04/12/2010 às 17:58
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O “exame do sopro” diagnostica se o paciente tem a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, que atinge 90% dos fumantes (Foto: Pedro Henrique Negrão)
O segundo mutirão de avaliação pulmonar, realizado pela Secretaria Municipal da Saúde, atendeu a 60 pacientes ontem na Policlínica Municipal de Especialidades, em Santa Rosália. Após os mutirões e consultas feitas durante o Ano do Pulmão (campanha internacional organizada por sociedades médicas de vários países em prol da saúde respiratória da população mundial), a fila de 240 pacientes foi zerada.

O mutirão fez o exame de esperiometria, mais conhecida como “exame do sopro” - que avalia a função pulmonar. Segundo o médico pneumologista José Rosalvo Santos Maia esclarece, a maioria dos pacientes que foram avaliados é tabagista ou ex-tabagista. “A avaliação diagnostica se o paciente tem a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), que atinge 90% dos fumantes, ou se tem asma”, explica.

A DPOC é conhecida pela manifestação conjunta do enfisema pulmonar e bronquite crônica e é uma doença silenciosa que acomete mais de sete milhões de pessoas no Brasil e é considerada a quinta maior causa de mortalidade no País. 

Com enfisema pulmonar e fumando de três a quatro cigarros por dia, a costureira Sônia Regina Oliveira Souza, 52 anos, acredita que a doença é genética, pois seus irmãos não fumantes também sofrem com o problema. “Tenho que fazer o exame para achar algum tratamento”, opina.

O tratamento para DPOC é caro e os medicamentos foram fornecidos pelo governo do Estado de São Paulo. O pneumologista Maia conta que o tratamento custa em torno de R$ 400, e a principal recomendação depende apenas do paciente, que é parar de fumar. “É um tratamento contínuo e sem cura, mas apresenta muita melhora para a vida do paciente, como conseguir caminhar e ter mais fôlego”.

O pedreiro Paulo Afonso Ferreira, 54 anos, fala que começou a fumar cigarro aos 8 anos de idade, mas há 23 decidiu parar com o vício e continua tendo falta de ar. “Vou fazer o exame para descobrir por que ainda sinto falta de ar.”

Com a extinção da fila de espera para o "exame de sopro", houve redução de 30% nas internações por problemas pulmonares nos hospitais públicos.

DEPENDÊNCIA DE CIGARRO - A dependência pelo cigarro pode diminuir a expectativa de vida em nove anos. Existem três tipos de dependência: a física, a psicológica e a associação.

O médico Maia explica que a dependência física ocorre quando o fumante tem uma necessidade compulsiva por cigarro e não consegue parar. “Ele está viciado na nicotina. A dependência é parecida com a da cocaína. A diferença é que uma droga é ilícita e a outra não”, explica.

Já a dependência psicológica é o uso do cigarro para lidar com situações de estresse, solidão ou para estender o prazer. 

E a associação de comportamento está ligada aos hábitos individuais ou sociais, como, por exemplo, tomar café e logo em seguida acender um cigarro ou quando ingere bebida alcoólica, fala ao telefone, assiste à televisão e demais situações particulares e comportamentos.

AMBULATÓRIO DE TABAGISMO - Em Sorocaba, existe um Ambulatório de Tabagismo, mantido pela Prefeitura de Sorocaba, que atende aos fumantes que desejam largar o vício. O tratamento é feito com equipe multidisciplinar e o paciente recebe folhetos explicativos sobre tais doenças, como Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).

O atendimento aos fumantes funciona no Ambulatório de Saúde Mental, na rua Rio Grande do Sul, 394, Centro. O telefones para contato é (15) 3234-3720.
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