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<< Polícia Federal indicia jornalista Amaury Ribeiro Jr. por quatro crimes

Publicada em 25/10/2010 às 21:57
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Amaury deixa a sede da Polícia Federal após seis horas de depoimento; ele não ficará preso (Foto: Agência Brasil)

A Polícia Federal indiciou ontem o jornalista Amaury Ribeiro Jr. pela suposta prática dos crimes de corrupção ativa, violação de sigilo, uso de documentação falsa e pagamento para testemunha silenciar, este último previsto no artigo 343 do Código Penal. A PF já levantou informações que comprovam o envolvimento do jornalista na quebra do sigilo fiscal de tucanos e de familiares do candidato do PSDB à Presidência, José Serra.

Após seis horas de depoimento, Amaury entregou para a imprensa, por meio de um advogado, o relato de suas investigações contra pessoas ligadas ao PSDB. Segundo o próprio jornalista, foram utilizadas apenas informações obtidas legalmente e que se referem aos anos de 1998 até 2002. No material, constam documentos da CPI do Banestado extraídos do Tribunal de Justiça de São Paulo. Na documentação o jornalista enumera informações sobre a vida empresarial de pessoas ligadas ao PSDB. São os mesmos nomes dos quais foram levantados os dados fiscais da Receita Federal no ano passado, entre eles o ex-diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio, e Gregório Marin Preciado.

Segundo Amaury, são informações oficiais a que ele teve acesso nos anos em que vem trabalhando no tema das privatizações. “Pela primeira vez estão sendo trazidas ao conhecimento público. Foram obtidas judicialmente através de uma ação de exceção de verdade. São documentos da CPMI do Banestado, cujo acesso estava até então proibido aos brasileiros. Agora vieram à luz", afirmou.

De acordo com o advogado de Amaury, o cliente estaria sendo usado como bode expiatório dentro de uma disputa política. O advogado, porém, não quis dizer por quem seu cliente estaria sendo usado. Amaury nega terminantemente que tenha praticado qualquer delito no "lídimo desempenho de sua atividade de jornalismo investigativo", conclui a defesa de nove páginas apresentada por Amaury à Polícia Federal.

VERSÃO MANTIDA - Amaury manteve no depoimento na Superintendência da PF em Brasília a versão de que se valeu apenas de dados desprotegidos por sigilo. O jornalista reafirmou as informações prestadas no último depoimento, do dia 15 de outubro, em que atribui ao ex-coordenador da campanha do PT, deputado Rui Falcão (SP), o furto das informações que ele armazenava em seu notebook em um quarto de hotel em Brasília.

O jornalista, no entanto, valeu-se do direito de ficar calado para não responder a novas perguntas, como por exemplo, explicação sobre pagamentos em duas parcelas que totalizaram R$ 5 mil, em setembro deste ano, para que o despachante Dirceu Garcia não revelasse sua ligação com Amaury e seu envolvimento na compra de dados fiscais sigilosos junto das delegacias da Receita Federal em Santo André e Mauá, em São Paulo.

Em depoimento à PF, o despachante Dirceu Garcia disse que recebeu de Amaury, por meio de depósito bancário, o dinheiro "para ficar calado".

Amaury Jr. não será preso apesar dos indiciamentos. A PF avalia que o inquérito sobre a quebra de sigilo deve ser concluído nos próximos dias. O advogado de Amaury, Adriano Bretas, afirmou que o indiciamento é positivo porque impede novas especulações sobre o caso. “O Amaury nega as acusações e agora ele poderá se defender”, disse o advogado.

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