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<< Marina Silva visita ONG Lua Nova e fala sobre escândalos

Publicada em 13/09/2010 às 20:59
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Marina Silva disse que projetos como da ONG podem ser transformados em políticas públicas caso seja eleita (Foto: Pedro Henrique Negrão)

A candidata à presidente da República pelo Partido Verde (PV), Marina Silva, visitou a ONG Lua Nova, em Araçoiaba da Serra, na manhã de ontem. Durante coletiva de imprensa, a senadora lamentou o escândalo da Receita Federal, destacando que deve haver segundo turno para aprofundar a investigação do suposto tráfico de influência na Casa Civil.

A fundadora e presidente da ONG Lua Nova, psicóloga Raquel Barros, apresentou para a senadora as instalações da instituição, que atende a 25 jovens mães e seus 30 filhos em situação de vulnerabilidade social, e os trabalhos elaborados pelas assistidas. Marina, acompanhada pelos candidatos do PV, ouviu as histórias das mulheres e conheceu as crianças.

Durante a conversa com a coordenadora do Empreendimento Escola, Ana Lúcia Veiga, 28 anos, que, por duas vezes passou pela Lua Nova, Marina elogiou a reviravolta na vida dela. “Tem de construir tijolo por tijolo na casa e na vida”, disse a candidata.

Ana Lúcia conta que há oito anos ficou na ONG por nove meses e na segunda vez, por seis meses. Ela tem dois filhos, de 9 e 7 anos. Hoje é coordenadora do projeto, que existe desde 2006, que constrói casas para as mulheres assistidas, no condomínio social “Manaiá”, em Araçoiabinha. “A minha casa já está pronta, agora estamos construindo para as meninas, que também são minhas colegas. Já erguemos 18 casas, cada construção dura cerca de 45 dias”, conta.

Marina elogiou o trabalho da entidade e diz que considera a Lua Nova uma incubadora familiar, destacando que tem como compromisso transformar boas práticas em políticas públicas. “Amor também é investimento.”

Já a fundadora explicou que o trabalho da ONG é atender a mulheres em risco social ou dependentes químicos, para que essas mães possam criar seus filhos e conviver com eles. “Temos área de geração de renda, como o projeto de construção civil e confecção de bolsas”.

“É válido que vou encontrar no governo boas coisas do governo Lula que vamos manter; boas coisas do governo do Fernando Henrique Cardoso, como o Plano Real, vamos manter. Mas, também temos desafios a serem enfrentados, como a educação de qualidade, o trabalho voltado a valorização do ser humano; pensamos muito na infraestrutura física, boa parte dos políticos dão prioridade a estrada, a viaduto, a hidroelétrica, é bom também, mas tem uma parte da infraestrutura humana do País que não é olhada, e esse é o melhor investimento que a gente faz”, falou Marina, destacando a importância de entidades que ressocializam pessoas.

A candidata citou que 80% da população brasileira não têm saneamento básico. Para reverter a situação, a União deve investir R$ 20 bilhões por ano e, em 10 anos, diz, o problema seria resolvido.

Com a proximidade do pleito, Marina afirma que não irá mudar a estratégia de campanha e repete que continuará discutindo as políticas públicas para o Brasil, como investimentos na juventude, já que muitos acabam se envolvendo com a criminalidade, e também em políticas para mulheres.

Segundo a senadora, as chefes de família não saíram com sucesso da miséria. Em 1993, 5,5 milhões viviam abaixo da linha de pobreza. Hoje 5,2 milhões de mulheres continuam na miséria e frisa que se deve oferecer mais oportunidade de trabalho. “Não é vale-tudo eleitoral se eu ganhar quero ganhar ganhando, se perder, quero perder ganhando.”

ESCÂNDALOS - Mais uma vez a senadora lamentou o escândalo da Receita Federal, em que filha e genro do candidato à presidência da República pelo PSDB, José Serra, tiveram seus dados violados. A senadora diz que não vê chance de ganhar votos em cima do episódio, já que a candidata do PT, Dilma Roussef, e Serra trocaram acusações sobre o assunto durante o debate televisivo no domingo.

“Gosto de fazer debate que discute sobre educação, saneamento básico, saúde e cuidados com os jovens. Infelizmente, temos episódios como este da Receita, milhares de pessoas tiveram seus registros violados, o ministro vem dizer que é isso corriqueiro e não dá nenhuma satisfação. Achei que o presidente da República iria pôr um basta na história, mas veio a público para defender sua candidata. Quando me refiro ao problema da Receita, é para punir, investigar, ter atitude exemplar e criar novos mecanismos de controle para que isso não aconteça com mais nenhum brasileiro, para que ninguém seja violado naquilo que legalmente deveria proteger”.

Devido às denuncias do suposto tráfico de influencia na Casa Civil, Marina apoia a investigação do caso com rigor e urgência. Já sobre o afastamento dos possíveis investigados, a senadora alega que é uma decisão do gestor público, que tem as informações. A ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, é acusada de corrupção de empresas com os Correios.

Marina insistiu que deve haver segundo turno, por causa dos escândalos que têm estourado nas vésperas das eleições, para que esses assuntos possam ser debatidos e esclarecidos da melhor maneira possível, aprofundando as questões, dando tempo para as investigações, e saber de fato o que está acontecendo.

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